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Caso clínico

Dentisteria Minimamente Invasiva: a propósito de um caso clínico multidisciplinar

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A medicina dentária sofreu, nos últimos anos, profundas mudanças com a integração do mundo digital nos processos de avaliação e diagnóstico1,2,9 e nos processos de produção laboratorial. Mais especificamente na reabilitação da chamada “área estética”, esta integração teve como consequência direta uma melhoria da comunicação com os pacientes e com os técnicos de laboratório, resultando numa maior previsibilidade dos resultados estéticos. 1,2,9 No entanto, não obstante os constantes avanços tecnológicos, a escolha de tratamentos orientados para a máxima conservação das estruturas dentárias deve figurar como a base do exercício da medicina dentária, no melhor interesse e saúde do paciente.

O caso clínico apresentado procurará realçar a importância da tomada decisão e orientação do plano de tratamento e da execução clínica multidisciplinar, de extrema relevância para o resultado estético final. Este caso clínico diz respeito ao tratamento da dentição antero-superior de um paciente do sexo masculino de 25 anos de idade, numa perspetiva minimamente invasiva e multidisciplinar. O paciente foi visto pela primeira vez há cerca de 8 anos, por indicação de um colega ortodontista. Na altura, o colega deu indicação de encerramento de um diastema mesial, presente no final do tratamento ortodôntico, entre o dente 12 e 11.

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Fig 1: Inicial | Fig 2: Mock-up | Fig 3: 10 dias post-op | Fig 4: Final – 10 dias após as restaurações | Fig 5: Final – 1 ano após as restaurações

Nessa mesma consulta, o paciente mostrou-se descontente com a estética geral do seu sorriso mas, após ser informado acerca das possibilidades de tratamento, preferiu tratar exclusivamente o diastema e duas lesões de cárie que apresentava em vestibular dos dentes 13 e 23. Dada a idade do paciente, a saúde geral da dentição, a componente aditiva e não subtrativa de estruturas do ato clínico e, sobretudo, a indefinição em relação a futuros atos médicos nestes mesmos dentes, optámos por realizar todos os tratamentos propostos por meio de restaurações diretas a compósito. Apesar do dente 12 ter indicação para o tratamento com facetas em cerâmica5, 7, 8, a eventual necessidade de retratar no futuro estes dentes levou-nos a optar, nesta fase, por uma solução menos onerosa.

Passados 8 anos, o paciente voltou à consulta apresentando novamente queixas estéticas relacionadas com os seus dentes antero-superiores (Fig. 1, 6 e 11). Após a avaliação estética inicial dos dentes 13 a 235, 7, foi possível diagnosticar a presença de incorreções nos níveis gengivais, nos eixos dentários, nas segundas inclinações dos dentes (nomeadamente 13, 12, 22 e 23), nos ângulos interincisais, nas proporções altura / largura e ainda na cor dos dentes. Posto isto, tendo em vista a máxima conservação de estruturas, a procura de tratamentos reversíveis e reparáveis ao longo do tempo e o comprovado sucesso clínico a longo-prazo,3,4,6, foi proposta a correção estética do 2º sextante novamente por meio de facetas diretas a compósito.

Nesse sentido, o tratamento iniciou-se por um estudo fotográfico mais pormenorizado,1, 2, 9, a que se seguiu um enceramento laboratorial projetando a nova situação estética antero-superior. Foi então executada uma chave em silicone que permitiu transferir a informação existente no enceramento e avaliar, em conjunto com o paciente, as melhorias estéticas conseguidas, aprovando desta forma o plano de tratamento proposto. Além de permitir uma visualização antecipada do resultado final, o “mock-up” (Fig. 2, 7 e 12) permitiu ainda complementar a comunicação com a equipa de cirurgia, nomeadamente no que diz respeito à correção das margens gengivais.

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Fig 6: Inicial sorriso | Fig 7: Mock-up sorriso | Fig 8: 10 dias post-op sorriso

Assim, na primeira fase do tratamento, procedeu-se ao alongamento coronário dos dentes 13 e 12 (com redução do volume ósseo vestibular ao nível do dente 13) e à gengivectomia do dente 21. Após 10 dias de pós-operatório procedeu-se à remoção de suturas e controle tecidular (Fig. 3, 8, 13, 16 e 17). Tendo-se verificado uma correta cicatrização das zonas gengivais, o paciente iniciou então o branqueamento externo em ambulatório bimaxilar com peróxido de hidrogénio numa concentração de 16% (Opalescence 16%®) que se estendeu durante um período de 3 semanas.

A conclusão do branqueamento e o atingir da cor pretendida, cor A1, permitiu dar seguimento ao plano de tratamento e concluí-lo com a execução de facetas diretas a compósito nos dentes 13, 12, 22 e 23 (Fig. 4, 9, 14 e 18), tendo sido utilizados para o efeito os compósitos Enamel HRi® (cores: UD2, UD1, UE2, UE3, OBN, IW). Por forma a seguir o enceramento previamente executado, nomeadamente o correto posicionamento dos bordos incisais, foi utilizada uma matriz de silicone, que permitiu ainda guiar o posicionamento correto dos pontos de contacto, posicionamento esse crucial para o correto crescimento, maturação e localização final das papilas interdentárias.

As fotografias finais (Fig. 5, 10, 15 e 19), tiradas 1 ano após a conclusão do tratamento, permitem-nos verificar não só a melhoria do aspeto estético geral, conseguido sobretudo graças ao equilíbrio de proporções dentárias e ao reposicionamento gengival, como também a estabilidade da cor e brilho das facetas a compósito, validando-as uma vez mais como opção de tratamento.

Em conclusão podemos dizer que, ao optarmos por um tratamento aditivo no qual utilizamos compósito, estamos não só a conservar a totalidade das estruturas dentárias existentes, como estamos a permitir toda e qualquer correção futura (como nos casos de fraturas). Desta forma mantemo-nos fiéis à perspetiva minimamente invasiva dos tratamentos que executamos em medicina dentária estética, associando materiais e técnicas com sucesso comprovado a médio/longo-prazo.

“Simplicity is the ultimate form of sophistication” – Leonardo da Vinci

 

Autores:

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João Borges 

Licenciado em medicina dentária pela FMDUL

Pós-graduação em Estética Dentária pela UIC – Barcelona

Mestrado de investigação em adesão dentária e biomateriais pela UIC – Barcelona

Professor convidado do Mestrado Oficial de Reabilitação e Estética, UIC – Barcelona

Prática exclusiva em dentisteria e reabilitação oral desde 2004

 

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Joana Rodrigues

Mestrado integrado pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

 

 

 

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Nuno Bangola

Licenciado em medicina dentária pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

Diploma universitário em periodontologia pela Universidade Complutense – Madrid

Master em cirurgia oral e implantologia pela EFHRE – Barcelona

Prática exclusiva em cirurgia oral e implantologia desde 2006

 

Bibliografia:

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  1. Coachman, C., Calamita, M. Digital smile design: a tool for treatment planning and communication in aesthetic dentistry. Quintessence Dent Technol, 2012.
  1. Coelho-de-Souza FH, Gonçalves DS, Sales MP, Erhardt MC, Corrêa MB, Opdam NJ, Demarco FF. Direct anterior composite veneers in vital and non-vital teeth: a retrospective clinical evaluation. J Dent. 2015 Nov;43(11):1330-6.
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