Fernando Guerra – Se vencer as eleições para bastonário da OMD assumirá o cargo de presidente da FDI simultaneamente? Como conciliará os dois cargos tão exigentes?
Orlando Monteiro da Silva – Obrigado desde já pela questão. Conciliarei com todo o empenho e apoio da minha equipa, com certeza.
No presente, sou médico dentista e bastonário da Ordem e exerço outras funções para as quais fui proposto pela OMD, sempre ligadas à profissão. A disponibilidade profissional que responsavelmente sempre dediquei aos projectos em que me envolvi foram feitos por dedicação a estas causas e “roubando” tempo à minha vida pessoal.
Concretamente, quanto à FDI, veja bem que eu fui eleito em Setembro, mas apenas tomarei posse no segundo semestre de 2011 como presidente da FDI. O cargo de presidente da FDI é um cargo de direcção estratégica, não executivo. Ao nível executivo, a FDI tem um director executivo, em Genebra, que comanda toda a estrutura, com cerca de 25 pessoas.
De forma análoga, ocupo desde 2006 o cargo de presidente do Council of European Dentists, o Conselho de Médicos Dentistas Europeu. O CED tem também um director executivo que coordena a estrutura a partir de Bruxelas. Esta Presidência terminará em Novembro próximo. E, que eu saiba, as funções que tenho na Ordem não foram prejudicadas nestes três anos. Bem pelo contrário, estas funções internacionais trouxeram vantagens objectivas à medicina dentária portuguesa. Reforçam o poder negocial da Ordem junto dos diversos interlocutores. É um prestígio para Portugal. Hoje, os médicos dentistas nacionais são muito mais reconhecidos e respeitados internacionalmente.
As minhas funções internacionais têm–me dado uma visão mais abrangente sobre a realidade da profissão na Europa e no Mundo, ajudando a antecipar tendências e a implementar ou sugerir a introdução de melhores soluções adaptáveis à realidade de Portugal. Outras vezes, a de travar decisões internacionais desajustadas ao interesse dos médicos dentistas, como foi a dura batalha e a vitória que conseguimos contra a tentativa da Comissão Europeia de colocar os médicos dentistas a ter de provar ao público, aos doentes, que os seus procedimentos clínicos são os adequados ao contrário do que acontece actualmente. Julgo que se deve defender o prestígio de um português ocupar estes cargos internacionais e colocar o seu know-how ao dispor da OMD. Tal só valoriza a própria OMD e a profissão.
O colega Fernando Guerra desempenha também diversas funções e actividades: clínica, académicas, empresariais, de ligação à industria e, também, mantém actividade intensa no âmbito de organizações e partidos políticos. Ainda recentemente foi candidato a mais um ou dois cargos políticos.
Não é positivo, nem me parece adequado estarmos a despender energias com este assunto. É aquilo que considero um não problema.
Concluindo, à semelhança do colega, desempenho diversos cargos e ocupações. É um facto. Mas, para além da prática clínica, estão em causa apenas cargos compatíveis e mesmo interligados com uma liderança eficaz e optimizadora da OMD: não são ligados a partidos políticos e a interesses corporativos (indústria, por exemplo). Os cargos que desempenho estão todos relacionados com a defesa da medicina dentaria, dentro e fora de portas…
Por último, a virtude de um dirigente e gestor é saber rodear-se de equipas competentes que o apoiam nas suas tomadas de decisão e que não fazem das instituições um objectivo em si, mas um meio. Não se trata de um one man show.
É o meu caso. Como se prova pelo meu percurso na Ordem. E pela nova equipa da Lista A, “ Pelos Médicos Dentistas”.


