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João Caramês dá lição de implantologia: O risco não é a nossa profissão

João Caramês dá lição de implantologia: O risco não é a nossa profissão

João Caramês, um dos mais conceituados especialistas em implantologia de Portugal (e do mundo), não tem receitas “fáceis” para resolver os problemas com que se deparam os médicos dentistas que fazem este tipo de intervenções no seu dia-a-dia. Entre as muitas ideias vertidas pelo consagrado perito no 3.º Congresso de Actualidades em Implantologia, destacam-se as mais “simples”: as cirurgias devem ser rápidas, mas não apressadas e devem, ainda, ser o menos invasivo possível.

Primeira lição: no campo da implantologia o médico dentista deve actuar esquecendo a máxima de um qualquer agente secreto. Deverá optar, sempre, pelas técnicas mais seguras. Segunda lição: a evidência científica deve nortear todas as decisões de quem trabalha com implantes dentários que, lembre-se, foram “inventados” para restituir a confiança e a segurança próprias de dentes naturais, proporcionando ao paciente uma auto-estima melhorada.

Foi perante um plateia de algumas centenas de pessoas, que compôs a gigantesca sala de congressos da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, que o professor João Caramês deu a sua “aula/conferência” sobre os mais recentes avanços nas técnicas de implantologia, realizada no âmbito do 3º Congresso de Actualidades em Implantologia nos dias 25 e 26 de Setembro, e que contou com a organização do Dental Eduction Program e do Instituto de Implantologia.

O orador, que falou mais de hora e meia, como qualquer grande mestre que se preze, não tem grandes certezas sobre a “melhor” maneira de efectuar uma intervenção cirúrgica nesta área; apenas aconselha e aponta caminhos sobre os inevitáveis prós e contras de cada acto médico. Mas há matérias onde o perito não tem grandes dúvidas: as brocas “velhinhas” são mais eficazes porque «não são tão agressivas, cortam menos tecido»; «a cirurgia deve ser rápida, mas feita com serenidade e sem pressas»; a cirurgia deve ser «menos invasiva possível, evitando retalhar a “fralda” do tecido».

João Caramês é um homem que não se contenta com a “vidinha” do dia-a-dia. Segundo reza a “lenda”, está em constante upgrade profissional. Há mais de uma década, para matar a sua sede de conhecimento, fez as malas e partiu rumo ao cosmopolitismo da “Big Apple”. Foi o primeiro aluno português da Universidade de Nova Iorque (ver caixa) e parece que não se saiu mal. Primeiro como estudante, depois como professor, João Caramês trouxe para Portugal know-how e novas tecnologias na área da Medicina Dentária, sendo actualmente reconhecido pelos seus pares como um dos grandes especialistas e professor em implantes e cirurgia dentária. Nos dias que correm, dirige um centro internacional de formação, que funciona no Instituto de Implantologia, em Lisboa, e que todos os anos recebe alunos de todo o mundo para estágios clínicos e cursos técnicos de formação.

Humilde, o perito começou a palestra sublinhando que o trabalho multidisciplinar, isto é, de equipa «é fundamental» para se obter o sucesso desejado. «Sou apenas o porta-voz de uma equipa, não sou mais que ninguém».   
Para Caramês, os implantes zigomáticos, por exemplo, oferecem uma série de vantagens em relação a outros tratamentos: «não precisam de enxerto ósseo, tempo de tratamento é curto e poupamos tempo». Contudo, «nós sabemos que o avião Concorde também é o mais rápido de todos, mas é certo que não os vemos no ar…». Ou seja, explica, há toda uma panóplia de «riscos» acrescidos com a utilização desta técnica, que necessita de ser levada cabo «com muito mais cuidado», porque, bastas vezes, ocorrem perfurações da órbita e da fossa infratemporal. «É uma técnica não aconselhada a “iniciados” porque, ao ser tão delicada, necessita de muita prática e pode trazer grandes dissabores». De resto, reforça o especialista, a taxa de sucesso dos implantes zigomáticos «ronda apenas os 55% das intervenções, que é uma taxa “pobre” e que fica aquém das expectativas».

«Não há técnicas perfeitas. Quando trato um paciente gosto de saber aquilo que vai acontecer a longo prazo. Os estudos sobre os zigomáticos são feitos a 2/3 anos e aí a taxa de sucesso é mais de 90%, mas sabe-se que faltam estudos sobre o assunto».

Segundo o especialista, quatro implantes são suficientes para que o paciente «já saia do consultório com um sorriso novo».

Zircónio é o futuro?

Em relação aos materiais, o zircónio é aquele que merece mais elogios do perito, «é o material do futuro», mas nem assim é perfeito, recorda. As vantagens, frisa, são muitas: «é aquele que oferece mais qualidade estética, é biocampatível, é muito resistente, deve ser utilizado em bruxosos. Em suma, o zircónio é o material que proporciona mais vantagens para o paciente, que já podem dizer que deixaram de usar metal na boca. Ninguém gosta de usar um a lata de “Coca-Cola” na boca…».

Mas nem a implementação deste material tem «algumas desvantagens». O risco de fractura do dente (nas reabilitações) está presente. O zircónio, ao ser «um material tão rijo que não parte», e ao apertar o parafuso num material tão resistente, «há tendência para o desaparafusamento e para erosão da superfície do material». Por outro lado, não é possível apurar a adaptação das conexões internas utilizando zircónio», explica, acrescentando que, mais uma vez, não há estudos aleatórios que comprovem a eficácia deste material.

Em suma, na óptica de João Caramês, o zircónio, que continua a ser um dos materiais mais avançados que o Homem alguma vez explorou, «não é o supra-sumo» que poderá resolver todos os problemas da implantologia. «É uma “promessa”, mas que merece maior aprofundamento das suas consequências».

De facto, diz, não há materiais totalmente inócuos ou completamente prejudiciais para as técnicas de implantologia. Quer os esqueléticos, quer os metalo-acrílicos possibilitam vitórias e derrotas. O zircónio idem e aspas. «Cada caso é um caso», conclui.

No fundo, o médico dentista deve nortear o seu trabalho com um só objectivo: fazer com que os sistemas de implantes voltem a fazer o paciente seja uma pessoa “feliz”, que seja capaz de sorrir e sinta que voltou a restituir a capacidade mastigatória, permitindo uma alimentação sem restrições. Ainda para mais, sabe-se que não é só a nível estético que melhoram as desempenhos, pois os implantes ajudam a manter a estrutura óssea, reduzindo ou eliminando a reabsorção responsável pelas alterações faciais.

Dentes novos restituem uma cara “nova”. Os pacientes agradecem, sintetiza. 

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