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Médicos Dentistas

A importância da ‘slow dentistry’ em fase de pandemia

A importância da ‘slow dentistry’ em fase de pandemia

O médico dentista Miguel Stanley voltou a defender o seu conceito de slow dentistry num artigo de opinião publicado no Dental Tribune, afirmando que esta filosofia — que é também um projeto do profissional gerido por uma empresa internacional — faz especial sentido nesta fase em que lidamos com o risco de transmissão do novo coronavírus.

A slow dentistry passa por investir mais tempo e mais recursos para operar segundo o gold standard na medicina dentária, implicando a correta desinfeção dos gabinetes, a explicação dos procedimentos aos pacientes e a aposta em consentimentos informados, em garantir o tempo de anestesia adequado e a montagem de diques de borracha sempre que indicado nos tratamentos, como restaurações e endodontias.

“Na minha clínica, este tem sido o protocolo padrão há mais de 20 anos. O que isto realmente significa nos bastidores é que, em regra, nunca vemos mais do que um paciente por hora por cadeira de dentista e desinfetamos devidamente a sala de tratamento entre pacientes. Para ser claro, não estou a dizer que um dentista não pode ver 30 pacientes por dia; pode ver tantos pacientes por dia como pode. Se conseguir realizar o seu tratamento com qualidade de forma rápida e segura, tudo bem. O que não pode acontecer é um tempo de recuperação rápido entre os pacientes. Todas as clínicas devem investir um mínimo de dez minutos entre as consultas para desinfetar devidamente todas as superfícies”, explica o médico dentista.

Apesar de o lucro financeiro ser uma das principais preocupações na gestão de uma clínica, Miguel Stanley alerta para a importância de “traçar a linha entre arriscar a sua saúde e a saúde dos que o rodeiam para obter lucro”.

É certo que perante a situação de pandemia, há um alerta implícito para a importância de desinfetar devidamente todas as superfícies, verificando-se também um aumento da sensibilização para o problema da contaminação cruzada por partículas virais em superfícies e tecidos, até porque estes agentes patogénicos podem manter-se ativos durante longos períodos.

De acordo com um ranking publicado pela Business Insider, realizado a partir da base de dados O*NET, os profissionais de medicina dentária estão entre quatro dos cinco trabalhos de maior risco em situação de exposição a doenças. Os higienistas tiveram uma classificação geral de 72,8 em 100, com uma pontuação de 100 no que concerne à exposição a doenças e infeções. Em relação a este risco sanitário, os dentistas obtiveram 95 de classificação.

Também segundo Zhuan Bian, professor e reitor da Escola e Hospital de Estomatologia da Universidade de Wuhan, os dentistas e outros profissionais do setor dentário têm um risco elevado de contrair SARS-CoV-2 devido ao contacto próximo com os seus pacientes.

“Só agora estamos a compreender a importância destes pequenos pormenores, que, na realidade, custam muito caro à minha empresa. O tempo investido nos bastidores nunca é recompensado e nunca ninguém o pede. Fazemo-lo, simplesmente, devido à compreensão ética de que é nosso dever não fazer nada de mal”, conta Miguel Stanley no artigo.

O dentista relata ainda que, na primeira reunião de slow dentistry, realizada há alguns meses em Londres, uma das preocupações expostas pelos participantes foi como proceder, uma vez que uma consulta no serviço nacional de saúde britânico tem a duração de 15 minutos.

“Na minha opinião, trata-se de um risco para a saúde e certamente não é conducente a uma odontologia de alta qualidade. Os dentistas são confrontados com o difícil dilema de sobreviver financeiramente e sustentar as suas famílias, ou assegurar a saúde pública. Ninguém deveria ter de tomar essa decisão. Mas a verdade é que a maioria das clínicas, consultórios dentários empresariais e modelos empresariais de organizações de apoio dentário entrariam em colapso se começassem a praticar slow dentistry. Não poderiam simplesmente investir o tempo adequado entre pacientes. Isto significa que muitos modelos de negócio para a prestação de cuidados dentários praticados, atualmente, em todo o mundo escolhem o lucro em detrimento da segurança.”

Miguel Stanley defende ainda que, depois desta pandemia, “as pessoas vão alterar a forma como escolhem uma clínica dentária” e que “o custo tornar-se-á secundário em relação à segurança”.

 

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