Fonte da marca disse à NEGÓCIOS&FRANCHISING que a rede está reformular os folhetos “retirando a expressão ‘especialistas em implantologia’, mas mantendo frases como: ‘800 mil implantes colocados com sucesso’, que provam a experiência da marca”.
Por seu lado, a ERS explicou-nos, através da assessoria de comunicação, que “do ponto de vista legal, a Vitaldent é constituída por um conjunto de empresas em regime de franchising. Assim, cada estabelecimento deve ser explorado autonomamente, por uma pessoa singular ou coletiva distinta (franchisados). Neste contexto, a Vitaldent deveria ser encarada como uma mera designação comercial transversal aos diversos estabelecimentos”.
A responsável adianta que “todavia, a ERS está a analisar, em sede de processo de avaliação, diversas situações que chegaram ao seu conhecimento, nomeadamente uma participação enviada diretamente pela OMD”.
Em comunicado, divulgado a 27 de fevereiro, a OMD acusava a Vitaldent de promover em folhetos comerciais serviços de médicos dentistas “especialistas em implantologia” e alertava para o facto de se tratar “de publicidade enganosa e errónea”, uma vez que na medicina dentária “não existe a especialidade ou o título de ‘especialista em implantologia’”.
No mesmo dia, a marca de franchising de clínicas dentárias reagiu, também em comunicado, salientando que a OMD “não reconhece a implantologia como especialidade de medicina dentária”, mas defendendo que os mais de “800 mil implantes colocados com sucesso lhes conferem uma experiência inequívoca no domínio da implantologia oral”.
A OMD acusava ainda a Vitaldent de estar a violar a relação entre utente e médico dentista, ao introduzir nas clínicas uma figura da área comercial que “não é médico dentista, nem médico estomatologista” chamada de “assessor odontológico”. Este “assessor” solicita o “preenchimento de um formulário com informação clínica, encaminha para a realização de exame radiológico prévio, aconselha o tipo de tratamento dentário a realizar, elabora o orçamento e escolhe o médico dentista. Uma situação que viola claramente a legislação em vigor” sublinhava a OMD. “O tratamento é sugerido antes de o doente ter sido visto por um médico dentista”, refere o bastonário da OMD, Orlando Monteiro da Silva, no comunicado.
Por seu lado, a direção da Vitaldent Portugal, no comunicado difundido no mesmo dia, confirmava a existência de ‘assessores odontológicos’, contudo “estes só apresentam ao paciente o orçamento dos tratamentos após a indicação do médico dentista”. Segundo a rede, “à semelhança de um assistente de receção, cabe a este assessor a função de organizar e facilitar os processos administrativos, que permitirá posteriormente ao médico dentista a avaliação do estado de saúde oral do paciente”.
Dados da ERS mostram que recebeu desde 2008 até setembro do ano passado 167 reclamações contra 17 das 33 clínicas Vitaldent a funcionar em Portugal. A maioria referia-se à qualidade da assistência de cuidados de saúde e questões financeiras.


