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Médicos têm 15 minutos por consulta

Médicos têm 15 minutos por consulta

Os médicos de família contratados pelo Ministério da Saúde através de empresas só podem fazer consultas que demorem no máximo 15 minutos, para atenderem quatro utentes por hora. Durante esse tempo devem prestar todos os atos médicos necessários, incluindo a prescrição de medicamentos e exames complementares de diagnóstico e terapêutica. A medida abrange também o atendimento de crianças.

O critério da duração máxima das consultas consta nos contratos públicos para aquisição de serviços médicos para o Serviço Nacional de Saúde. O Ministério da Saúde garantiu ao Correio da Manhã que “esse parâmetro foi retirado”, facto que é desconhecido pela Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral.

Rui Nogueira, vice-presidente da associação, afirma que uma consulta em 15 minutos não garante qualidade no atendimento. E dá o exemplo: “um doente que apareça no centro de saúde com uma dor de cabeça pode ser uma coisa simples ou complicada, pois pode ser o resultado de uma noite mal dormida ou um tumor. O problema deve ser devidamente avaliado sob pena de se errar o diagnóstico, o que pode ser gravíssimo para os doentes”.

Segundo o clínico, que diz “não cumprir” uma imposição dessas, a medida vai obrigar os profissionais a uma “medicina defensiva”, isto é, a prescreverem mais meios complementares de diagnóstico, como por exemplo a tomografia axial computadorizada (TAC) e análises clínicas. Esse aumento de prescrição deve-se, para Rui Nogueira, ao receio dos médicos em falhar no diagnóstico do doente.

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