Ana Jorge tomou posse no âmbito da remodelação governamental proposta por José Sócrates e aceite pelo Presidente da República, que incluiu ainda a substituição da ministra da Cultura e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais por José António Pinto Ribeiro e Carlos Lobo, respectivamente.
A substituição do ministro terá ocorrido a seu pedido, segundo indica uma carta do próprio a que a “Lusa” teve acesso e onde escreve que «circunstâncias diversas e complexas, mas cumulativas, estão a minar a relação de confiança que deve existir entre os cidadãos e o SNS, instituição ao meu cargo, e um dos mais válidos instrumentos de equidade social criados após o 25 de Abril».
No mesmo dia, e à saída do debate quinzenal na Assembleia da República, José Sócrates disse que concordou com a saída de António Correia de Campos «em nome desse reforço de confiança» no SNS, tendo reconhecido que uma «relação de confiança» «estava a perder-se» nos últimos tempos pelo «aproveitamento» e com «profunda demagogia» de «alguns casos» na saúde, citou a “TSF”. Por outro lado, considerou o primeiro-ministro, Ana Jorge tem «todas as condições» para reforçar essa confiança no SNS. O responsável disse, sobre as reformas para esta área, que «ninguém vai voltar atrás», dado que «do que se trata é de um novo método para cumprir os mesmos objectivos», frisando, contudo, que «não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas».
Após ter sido divulgada a notícia da substituição, Ana Jorge, à saída do Ministério da Saúde, foi contida nas suas declarações aos jornalistas, tendo apenas lamentado «as relações complexas dos cidadãos com o SNS», pelo que é «indispensável restaurar essa confiança». Acrescentou ainda que acredita na reforma em curso, bem como no SNS, citou o “Correio da Manhã”.
Até à tomada de posse como ministra da Saúde, Ana Maria Teodoro Jorge, de 58 anos, ocupava a direcção do serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada, tendo, anteriormente, estado à frente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo.
Reacções institucionais e políticas
Eis uma súmula de algumas das reacções políticas e institucionais à nova ministra:
– Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos – «Conheço-a há muitos anos, do seu trabalho como presidente da ARS e como pediatra. Tenho por ela a maior consideração, amizade e respeito. Acho que os portugueses têm muito a lucrar». (“Correio da Manhã”)
– António Arnault – O “pai” do SNS mostrou-se satisfeito com a substituição do cargo do ministro da Saúde, considerando que o primeiro-ministro «foi sensível à revolta generalizada» contra o encerramento das unidades de saúde. Afirmando que «não importa tanto mudar as pessoas», este fundador do PS defende que «o que é importante é mudar as políticas». (“Lusa”)
– Vitalino Canas, Partido Socialista – O porta-voz do PS elogiou os «nomes prestigiados» escolhidos por José Sócrates para substituir os ministros da Saúde e da Cultura, que «irão reforçar a capacidade governativa» do Executivo. (“Público”)
– Luís Filipe Menezes, Partido Social Democrata – O presidente do PSD encara a remodelação como um sinal de que o Governo «reconhece que falhou» na Saúde e considera que o primeiro-ministro já «não tem opções de escolha» para preencher o seu Executivo. (“Público”)
– Paulo Portas, Centro Democrático Social/ Partido Popular – O líder do CDS-PP responsabilizou directamente o primeiro-ministro pela falha nas políticas de saúde e da cultura – «ele é que estava errado» -, e declarou que «a fortaleza Sócrates começa a ceder», apelando a uma mudança de políticas. (“Público”)
– Francisco Louçã, Bloco de Esquerda – O responsável considerou que as mudanças provam que o Governo «percebeu tarde» o descontentamento das populações na saúde e exigiu «uma correcção» no rumo do Executivo. (“Público”)
– Partido Ecologista “Os Verdes” – Considera que a saída de António Correia de Campos da pasta da Saúde resulta da «forte contestação» popular ao Governo e exigiu mudanças de política na Saúde e Cultura, que também mudou de titular. (“Público”)


