As bactérias encontram formas de sobreviver e tornaram-se resistentes, o que faz com que sejam necessários novos medicamentos. Um uso errado aos antibióticos e o maior tráfego global de bactérias resistentes pioram o cenário. Este ano, um relatório dos Centros de Controlo de Doenças dos EUA chamou a atenção para o problema da gonorreia resistente às cefalosporinas, classe de antibióticos usados no tratamento da doença sexualmente transmissível. Para retardar o aparecimento de uma superbactéria resistente, os CDCs mudaram as diretrizes do tratamento, que agora deve combinar um remédio oral e outro injetável.
Também o corte de investimentos em pesquisa e desenvolvimento de antibióticos pelos laboratórios multinacionais deve-se, em parte, a fusões recentes entre as grandes empresas do setor. De acordo com a OMS, 8 das 15 maiores farmacêuticas que tinham programas de descoberta de antibióticos abandonaram essa área, outras duas reduziram os seus esforços.
Em 2012, o primeiro-ministro sueco anunciou um investimento de 220 milhões de dólares para os quatro anos seguintes em pesquisas nessa área. As investigações incluem o desenvolvimento de novas drogas e a revisão de medicamentos antigos ou que foram descartados anteriormente.
Mas segundo Diarmaid Hughes, professor de bacteriologia molecular médica da Universidade de Uppsala, só o lançamento de novos antibióticos no mercado não vai resolver o problema da resistência. “É necessário antes aprender sobre o uso e o abuso de antibióticos das últimas décadas que fizeram o problema da resistência chegar a este estado atual; chegar à raiz do problema antes do possível mau uso de uma nova geração de antibióticos.”


