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Diabetes: 10 recomendações na prática clínica

Diabetes: 10 recomendações na prática clínica

Um grupo ibérico de médicos dentistas, a Federação Europeia de Periodontologia e a Academia Americana de Periodontologia reuniram-se em workshops para avaliar a relação entre a diabetes e as doenças periodontais. O resultado  deu origem a 10 recomendações para médicos dentistas na prática clínica a pacientes com diabetes.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes e com a Colgate, que reuniu as recomendações obtidas por estes profissionais nos workshops, estima-se que em Portugal apenas 10 a 15% dos adultos apresentem gengivas saudáveis e que entre 50 a 60% destes apresentem gengivite.

A associação entre a diabetes e as doenças periodontais é bidirecional e a diabetes aumenta o risco de se vir a sofrer de doenças periodontais, que por sua vez podem afetar os pacientes diabéticos e dificultar o controlo dos níveis de glicémia.

Nesse sentido foram criadas recomendações que devem ser seguidas pelos médicos dentistas no sentido de melhorar o seu atendimento a diabéticos:

1 – Informar

Os pacientes devem saber que o facto de terem diabetes aumenta o risco de desenvolverem uma doença periodontal e que estas doenças, e em particular a periodontite, podem dificultar o controlo dos níveis de glicémia;

2 – Avaliação bucodentária

Na avaliação inicial, os doentes com diabetes de tipo 1, tipo 2 e gestacional recentemente diagnosticada devem ser aconselhados a realizar um exame bucodentário exaustivo que inclua exame periodontal completo;

3 – Tratamento e vigilância da saúde periodontal

Se, inicialmente, não for diagnosticada periodontite, os doentes com diabetes devem ser integrados num regime de cuidados preventivos e de controlo periódico da saúde das gengivas. Este controlo deve ser efetuado pelo menos uma vez por ano;

4 – Assistência em situações de urgência

Os doentes com diabetes que apresentem alguma infeção oral ou periodontal aguda devem receber cuidados bucodentários ou periodontais urgentes;

5 – Reabilitação

Deve-se recomendar a reabilitação dentária aos doentes com diabetes que sofrem a perda de vários dentes. Essa reabilitação permite restabelecer uma mastigação que volte a ser adequada e uma nutrição satisfatória para o doente;

6 – Informação sobre a saúde bucodentária

Deve ser disponibilizada informação sobre a saúde bucodentária a todos os pacientes com diabetes, nomeadamente no que diz respeito às implicações que a diabetes pode ter na saúde oral, especialmente nas gengivas;

7- Crianças e adolescentes

No que respeita às crianças e aos adolescentes diagnosticados com diabetes, recomenda-se um exame bucodentário a partir dos seis anos;

8 – Outros problemas bucodentários

Aconselha-se ainda a avaliação dos doentes com diabetes relativamente a outras possíveis complicações bucais, incluindo boca seca, ardor bucal ou infeções por candida spp;

9 – Deteção de pacientes em risco de apresentarem diabetes não diagnosticada

Os pacientes que recorrem à consulta sem diagnóstico prévio de diabetes, mas com fatores de risco evidentes para diabetes de tipo 2 e sinais de periodontite, devem ser informados sobre o risco de desenvolverem a doença. Estes pacientes devem ser avaliados utilizando uma análise simples da HbA1c e devem ser encaminhados para um médico dentista, que deverá realizar exames complementares de diagnóstico adequados;

10 – Protocolo de atuação com o doente diabético na consulta dentária

Os médicos dentistas devem dispor, nas suas clínicas, de protocolos adaptados ao doente diabético.

Em tratamentos não cirúrgicos, como a destartarização, a raspagem e o alisamento radicular, restaurações, próteses fixas, próteses removíveis, ajustes em ortodontia, endodontia, aplicação de flúor, recolha de impressões, anestesia local e radiografias intraorais devem seguir-se as seguintes normas:

– Observar o doente de manhã, porque os indivíduos com diabetes toleram melhor os procedimentos dentários neste período do dia;

– Dar preferência a consultas de curta duração, com pausas durante o tratamento, para que o doente possa utilizar a casa de banho ou ingerir alimentos;

No caso de procedimentos cirúrgicos, como cirurgias periodontais, extrações e implantes, devem tomar-se em consideração:

– A cobertura antibiótica, o controlo glicémico e a necessidade de discutir com o doente e o respetivo médico o conteúdo e o horário das refeições, bem como a dose de insulina.

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