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Mutações genéticas e má sorte podem estar na origem de casos de cancro

Variação genética explica diferente resistência às doenças

A ocorrência da maior parte dos tipos de cancro pode dever-se à “má sorte” e não aos fatores de risco mais conhecidos, como o consumo de tabaco e os maus hábitos de alimentação. Pelo menos é o que diz um estudo norte-americano recentemente publicado na revista científica Science, que demonstra que dois terços de todos os tipos de cancro analisados são originados de forma aleatória por mutações genéticas, independentemente do estilo de vida levado pelo paciente.

De acordo com a BBC, o estudo foi conduzido por investigadores da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg, que defendem que a explicação para este fator aleatório se pode explicar pela forma como os tecidos do corpo regeneram.

“As células velhas e desgastadas do corpo são constantemente substituídas através de células estaminais, que se dividem para formar novas células, mas em cada divisão há o risco de que ocorra uma mutação perigosa, que aumenta a hipótese da célula-tronco se tornar cancerígena”, explica a BBC.

Assim, os cientistas compararam o número de vezes que essas células se dividem em alguns tecidos do corpo durante a vida de um indivíduo com o índice de incidência de cancro nessas partes do corpo e descobriram que dois terços dos tipos de cancro eram “causados pelo azar” de células-tronco em processo de divisão sofrerem mutações imprevisíveis.

Cristian Tomasetti, um dos autores do estudo, explica que “se dois terços da incidência de cancro nos tecidos é explicada por mutações de ADN aleatórias que ocorrem na divisão das células-tronco, mudar o estilo de vida e os hábitos é uma grande ajuda para prevenir certos tipos de cancro, mas não é efetivo em relação a uma grande variedade de outros tipos.”

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