Segundo noticiou o “Plain Dealer”, no dia 25 de Maio, uma das razões para a escassez de médicos dentistas no país relaciona-se com o frequente abandono da profissão por parte das mulheres, que constituem a maioria dos estudantes de Medicina Dentária, mas desistem da carreira para casar e constituir família.
«Tenho muitas saudades, mas tenho de tomar conta dos meus filhos», disse Sonia Yassar, 29 anos, que desistiu da prática clínica há quatro anos, após ter casado com um radiologista, acrescentando que, «por vezes, sinto-me deprimida por não estar a trabalhar».
De entre os 320 estudantes matriculados no Montmorency College of Dentistry, gerido pelo Governo, três quartos são mulheres, segundo dados fornecidos por aquela escola.
No entanto, a maioria das mulheres entrevistada pelo “The Plain Dealer”, mostrou-se determinada a exercer a profissão depois de terminar os estudos.
«Eu vou exercer a profissão independentemente de tudo», afirmou Aasma Aftab, de 21 anos, acrescentando que «se alguém quiser casar comigo, então terá de me deixar trabalhar».
Muitos estudantes de Medicina Dentária paquistaneses optam por exercer a profissão fora do país, onde os salários, por norma, são mais elevados. Cerca de 20% dos graduados do Lahore Dental College trabalham noutros países, de acordo com o director do organismo.
No que respeita àqueles que decidem permanecer no Paquistão, a remuneração não é muito elevada: os médicos dentistas que trabalham para o Governo ganham cerca de 15,680 rupias por mês, o equivalente a 235 dólares.
Muitos evitam trabalhar nas províncias rurais devido às constantes ameaças e às fracas condições de trabalho. Um estudo do Governo, publicado recentemente, revela que apenas existe um médico dentista licenciado para os 45.000 indivíduos do distrito de Manawa, ao longo da fronteira indiana de Punjab oriental.
Ali, de 19 anos, é um odontólogo, não licenciado, que enveredou pela profissão por três grandes razões: pela falta de médicos dentistas qualificados no Paquistão, pelo facto do país não conseguir suportar médicos dentistas qualificados na força de trabalho e porque muitos cidadãos conhecem pouco sobre cuidados de saúde oral. «É um trabalho de família e não há outro», diz.
Paquistão: Mulheres optam por Medicina Dentária mas abandonam profissão para constituir família
Com 165 milhões de habitantes, o Paquistão é o sexto maior país do mundo e uma força económica emergente. Contudo, ainda existem situações em que os costumes colidem com as visões do futuro. E a Medicina Dentária não é excepção.


