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Opinião

10 dicas para quem quer abrir uma clínica dentária

Clínica da Faculdade de Medicina Dentária encerrada devido a irregularidades

O mercado das clínicas dentárias está cada vez mais saturado e, apesar do maior profissionalismo do sector em várias dimensões, o excesso de oferta condiciona os pacotes salariais e, nalguns casos, gera alguma precariedade ao nível da remuneração e/ou trabalho. Como alternativa, os médicos dentistas propõem-se a abrir novas clínicas dentárias, mesmo muitas vezes reconhecendo que ainda não têm experiência suficiente para assumir uma responsabilidade dessa natureza. 

Há uma série de factores que influenciam o processo de decisão: se vai avançar sozinho ou com sócios, local onde reside “versus” local da nova clínica, capitais próprios disponíveis, capacidade de endividamento na banca e ainda outros factores psicográficos inerentes ao empreendedor, como sejam o estilo de vida desejado (equilíbrio entre vida pessoal com a vida profissional), a capacidade e vontade de assumir determinados riscos, adequação dos níveis básicos de gestão (ou nulos, como em muitos casos) à nova empresa, nível de ambição, entre outros.

A base do processo de abertura de uma nova clínica dentária reside na escolha do local de implantação e, por inerência, a análise e avaliação das clínicas concorrentes existentes na zona, assim como dos serviços que prestam. É fulcral uma análise cuidada deste ponto, uma vez que os custos de mudança (de local) são elevados. Que factores deverá considerar para a escolha do local de abertura de uma clínica dentária?

  • Acessibilidade: acessos directos facilitam a mobilidade rodoviária. E se for uma zona com menor propensão ao trânsito, tanto melhor;
  • Artérias principais: asseguram “a priori” um grande fluxo de pessoas e veículos e são muito fáceis de identificar/recomendar a outras pessoas, pois grande parte delas conhece (ou pelo menos tem noção aproximada de onde fica);
  • Visibilidade e apelos das instalações: a clínica tem que estar visível mesmo a vários metros de distância, pois há sempre os mais distraídos que só se apercebem da clínica se estiverem de frente ao imóvel. Uma estrutura bem dimensionada, com cores vivas e fachadas largas, com boa comunicação estratégica podem marcar a diferença e captar a atenção das pessoas.
  • Comunicação estratégica: a política e estratégia de comunicação são fundamentais para potenciar a notoriedade de uma clínica dentária e importa que as acções tenham uma base regular. Numa primeira fase, como posso captar a atenção do meu potencial cliente? Através de um logótipo impactante, que lhe transmita emoções e sentimentos, com cores alegres e um slogan apelativo e de fácil memorização. Instalações de qualidade, com um serviço de excelência prestado ao cliente e uma comunicação assertiva e estratégica podem tornar-se factores críticos de sucesso;
  • Densidade populacional: salvo algumas excepções, e a título de exemplo, é preferível estar localizado numa freguesia que tenha 5.000 habitantes e 980 pessoas por cada 1.000 m2 do que numa freguesia com 8.000 habitantes e 495 pessoas por cada 1.000 m2. Não só porque aumenta o fluxo de clientes por m2 (baixo nível de dispersão de pessoas), como também permite que a marca da minha clínica seja “captada” por mais pessoas, num menor período de tempo;
  • Fluxo de pessoas e veículos: quanto maior o fluxo na zona pedonal e rodoviária, maior a probabilidade de captar clientes para a clínica;
  • Zona habitacional vs zona empresarial: teoricamente, a probabilidade de sucesso aumenta caso a minha clínica esteja implantada numa zona residencial, embora já tenhamos comprovado situações opostas, ou seja, clínicas muito bem-sucedidas em zonas de comércio, bem frequentadas e de muito movimento. Acima de tudo interessa é que o potencial cliente descubra que existe uma nova clínica e que tenha a curiosidade de realizar uma primeira visita, independentemente de residir próximo ou um pouco mais longe;
  • Nível sócio-económico do meio: foram realizados estudos internacionais que comprovaram que as pessoas com maior capacidade financeira, ou que tenham mais qualificações académicas, não são necessariamente os melhores clientes de uma clínica dentária. Um dos motivos principais está relacionado com o facto de não terem tanto tempo para se deslocar regularmente às clínicas. Por outro lado, a saúde oral preventiva ainda não faz parte do léxico da maioria dos portugueses, o que significa que tradicionalmente só visitam o seu médico dentista quando têm um problema. Não fique “obcecado” com este critério;
  • Zona de estacionamento: um factor (quase) determinante na selecção do local de abertura de uma clínica dentária. Ter um estacionamento garantido “à porta” ou nas redondezas baixa os níveis de stress dos clientes e aumenta a sua probabilidade de visitas periódicas. Estacionamento grátis ou pago: eis outra questão que devemos ter em consideração na estratégia de marketing;
  • Nível de concorrência: “last but not least” é essencial que se proceda a uma análise rigorosa das clínicas dentárias que estão presentes no mesmo mercado: serviços e produtos que comercializam, o preçário adoptado nos principais serviços, em que local se encontram (incluido acessibilidade e estacionamento), nível de notoriedade na população local, tipo de comunicação e canais utilizados para promover os serviços, entre outros.

(O autor escreve de acordo com a antiga ortografia)

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