Para Orlando Monteiro da Silva, o objectivo é o de evitar que aquele montante seja utilizado pelo Ministério das Finanças para outros fins, de acordo com a notícia avançada, hoje, pelo jornal “Público”.
Uma vez que o PNPSO começou com três meses de atraso, uma parcela da verba inscrita no Orçamento de Estado para este efeito – um total de 21 milhões de euros – não vai ser gasta até ao final deste ano, antevê o bastonário.
A distribuição dos cheques-dentista, limitada às 65 mil grávidas e aos 90 mil idosos começou este mês, sendo que nos primeiros quatro dias foram entregues mais de 400 cheques-dentistas, avançou o bastonário da OMD, que se encontra em negociações para que os vales passem a abranger crianças e jovens entre os três e os 18 anos, em 2009.
Contudo, também os diabéticos e as crianças portadoras de deficiência devem, da mesma forma, ser considerados grupos prioritários.
Já está em discussão a hipótese de, no futuro, os tratamentos dentários serem comparticipados pelo Estado no âmbito das convenções, que estão a ser reavaliadas. No entanto, Monteiro da Silva admite que o Ministério da Saúde tem menos pressa do que a OMD. «Vamos caminhar devagar», afirmou.
Num país em que mais de metade da população não tem acesso a cuidados de saúde oral, o número de dentistas está a crescer «de forma exponencial» e o espectro do desemprego ameaça os jovens licenciados, alertou o bastonário.
Se há 25 anos havia falta de especialistas em Portugal, com a criação de cursos em sete faculdades (que formam 600 licenciados por ano), a realidade é que a situação inverteu-se, existindo médicos dentistas a emigrar, sobretudo para o Reino Unido.
No final do ano passado, os mais de seis mil especialistas a exercer no país seriam, segundo Orlando Monteiro da Silva, «suficientes para dar resposta às necessidades do país».
Neste sentido, o bastonário advoga a criação de medidas para travar este crescimento, tal como a necessidade de encerrar faculdades e limitar a entrada nos cursos, admitindo mesmo a hipótese de recorrer a uma saída controversa, ou seja, a introdução de quotas de entrada na ordem, cuja possibilidade de um exame final está prevista nos estatutos da Ordem.
Cheques-dentista podem vir a abranger diabéticos e crianças com deficiências em 2009
Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), os sete a oito milhões de euros que, este ano, vão sobrar do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO) devem ser canalizados para diabéticos e crianças portadoras de deficiência.


