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FDA anuncia que amálgamas dentárias podem ser prejudiciais para a saúde

FDA abre consulta pública sobre mercúrio na prática dentária

Na sequência da acção judicial contra a FDA, levantada por alguns grupos de consumidores e de médicos dentistas, a agência publicou online, no respectivo espaço na Internet, que «as amálgamas dentárias contêm mercúrio que pode ter efeitos neurotóxicos no sistema nervoso de crianças e fetos».

De facto, a FDA tem vindo a defender, ao longo dos anos, a utilização das amálgamas dentárias, salientando que o mercúrio não constitui perigo para a saúde dos pacientes dentários.
A agência vem agora mudar de posição, dando, de alguma forma, razão à médica dentista Michelle Jorgensen, da American Fork, que parou de usar amálgamas dentárias há dez anos devido à controvérsia que envolve o material.
«Será que compensa o risco que o mercúrio representa para a saúde?, questionou-se, junto do “Daily Herald”.
Após a nova tomada de posição da FDA, a American Dental Association (ADA) já veio a público afirmar que a amálgama é «um material seguro, acessível e durável, que tem vindo a ser usado nos dentes de mais de 100 milhões de americanos», mantendo assim a sua postura face a esta questão.
Na opinião de Jorgensen, existe muita política envolvida em todo este processo, o que, por conseguinte, impede uma mudança de posição da ADA. Admitir que o mercúrio é perigoso, significaria convidar milhares de advogados a encontrar pacientes que abrissem acções judiciais contra os seus médicos dentistas, afirmou, acreditando ser esta uma postura que a ADA não está disposta a adoptar.
«Esta é uma questão política na Medicina Dentária», contou. «Tem vindo a ser a posição da ADA durante muito tempo, e não a vejo a mudar», acrescentou.
Enquanto parte do acordo, a FDA irá tomar a sua decisão final em Julho sobre os “controlos especiais” na utilização de mercúrio. Possíveis mudanças irão desde uma maior divulgação de informação junto dos pacientes até à proibição do uso daquele material em determinadas situações.

Profissionais do sector divergem na opção de utilização
A presença de mercúrio em amálgamas de prata preocupa alguns médicos dentistas. Num recente inquérito, realizado pelo site de marketing dentário “The Wealty Dentist”, a opinião de muitos inquiridos foi unânime em não encarar o mercúrio como uma ameaça. Contudo, uma minoria significativa salienta o potencial perigo daquele material.
Muitos médicos dentistas mostram-se confiantes em apoiar a utilização das amálgamas dentárias, apontando a sua longa e notável história. «150 anos não provaram o perigo das amalgamas», referiu um médico dentista do Arkansas, citado pelo “FPRC”.
«Eu acredito sinceramente que alguns médicos dentistas estão a aproveitar-se desta situação para melhorar o seu negócio», criticou outro profissional do sector do Texas.
A verdade é que a formação de um consenso entre a comunidade dentária está longe de ser uma realidade. Uns insistem na sua não-toxicidade quando misturada quimicamente com outros metais; outros evidenciam o vapor de mercúrio libertado pelas obturações das amálgamas.
«O mercúrio é um tóxico conhecido», lembrou um profissional de saúde oral do Lousiana. «Não existem níveis seguros. Ele devia ser banido», acrescentou. Já um médico dentista da Califórnia questiona-se: «se não é seguro tocá-lo com as mãos, então por que motivo é seguro tê-lo na boca?».
Por outro lado, muitos pacientes preferem restaurações compósitas. Apesar de mais dispendiosas, elas são as eleitas no seio da Medicina Dentária cosmética. «Nós vivemos no século XXI, e existem mais materiais disponíveis. A minha questão é: porquê continuar a usar a amálgama hoje em dia?», interrogou um médico dentista de Nova Iorque.
«Esta é uma das maiores controvérsias no mundo da Medicina Dentária», considerou o fundador do “The Wealthy Dentist”. «Na sua forma elementar, o mercúrio é venenoso. Misturado com outros metais para criar a amálgama, funciona como um admirável material de restauração dentária. Compreendo porque é que os médicos dentistas têm fortes opiniões em ambos os lados», rematou.

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