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Entrevista

Christian Coachman: “O paciente torna-se num coautor do design do seu sorriso”

Christian Coachman: “O paciente torna-se num coautor do design do seu sorriso”

O Digital Smile Design (DSD) foi desenvolvido com o intuito de ser uma ferramenta que no dia-a-dia auxilie o médico dentista a tornar-se um melhor designer de sorrisos, a planear melhor os casos que envolvam interdisciplinaridade, a criar uma estratégia de comunicação com o paciente e a tornar o tratamento mais previsível. Em entrevista à SAÚDE ORAL, durante a sua passagem pelo Sename, o fundador do conceito explicou que “o DSD é recomendado para qualquer tipo de casos que exijam um projeto de sorriso, assim como uma relação interdisciplinar”.

Como descreve o conceito do Digital Smile Design (DSD)?

É uma filosofia de trabalho que envolve uma série de novos protocolos, sendo que estes envolvem muita tecnologia, nomeadamente softwares que foram desenvolvidos para ajudar o médico dentista em quatro fatores básicos. O primeiro diz respeito ao facto de os médicos dentistas poderem tornar-se melhores designers de sorrisos através de um protocolo de integração dento-facial e de análise desse sorriso integrado com a fase. O segundo objetivo do conceito é apoiar os médicos dentistas a planear melhor os casos de forma interdisciplinar, precisamente através de um protocolo de comunicação interdisciplinar. A terceira meta é ajudar o médico dentista a criar uma estratégia de comunicação com o paciente, nomeadamente para o motivar e educar, assim como para agregar valor ao seu produto, e logicamente aumentar o grau de aceitação dos planos de tratamento através desta abordagem, à qual chamamos de odontologia digital. Por fim, o quarto objetivo, a partir do momento em que o projeto é criado, reside em como transformá-lo num tratamento previsível através de protocolos digitais, ou seja, através da utilização de softwares que geram previsibilidade e eficiência no tratamento do paciente

Quais foram os desafios para criar esta tecnologia?

O primeiro desafio foi precisamente a criação dos protocolos, que foram criados através da nossa experiência e do nosso trabalho em diversas clínicas, onde foram sendo aprimorados. Depois disso, o desafio seguinte foi criar o software para tornar esses protocolos possíveis. Foi então que nos associamos a uma empresa de software e desenvolvemos uma série de softwares específicos para os protocolos em questão.

Como funciona o workflow do DSD?

É um workflow simples, que começa com a documentação do caso. Assim sendo, iniciamos o processo fazendo vídeos do paciente e aí desenvolvemos uma análise dinâmica, ou seja, avaliamos o movimento do sorriso e da face, sendo que criamos uma série de imagens a partir desse vídeo. Depois, com um software 2D criamos uma moldura do sorriso e linhas de referência, sendo que estas são sobrepostas num software 3D onde temos a boca do paciente digitalizada e aí criamos um projeto 3D do sorriso. Esse projeto pode tornar-se o modelo através da impressão e ser colocado na boca do paciente, sendo o test-drive do sorriso, o mock-up. A partir da aprovação desse design pelo paciente, esse projeto 3D é sobreposto nos softwares de ortodontia, cirurgia, implantes, perio, etc., para criar todos os aparelhos e instrumentos necessários para executar esse tratamento

Quantas consultas são necessárias?

Na primeira consulta faz-se a documentação do caso e na segunda é provado o tal test-drive. A partir da aprovação, existe uma terceira consulta onde se inicia o tratamento com os aparelhos que foram criados. A quantidade de consultas necessárias depois do início do trabalho clínico vai depender de caso a caso.

O DSD pode ser aplicado em todas as situações?

O DSD é recomendado para qualquer tipo de casos que exija um projeto de sorriso, assim como uma relação interdisciplinar. No entanto é igualmente, recomendado para todos os casos em que se precise de redesenhar o sorriso do paciente.

O médico dentista torna-se, assim, num técnico digital?

Aquilo que sugerimos, na verdade, é que seja o técnico protésico a fazer esse trabalho do 3D. Acreditamos que isso não seja financeiramente interessante para o médico dentista porque vai retirá-lo do seu trabalho com o paciente, no consultório, que é o que ele faz melhor. Percebemos que é fundamental a existência de uma parceria entre o médico e o dentista, que agora é um técnico digital.

Mas o médico dentista terá de saber dominar os softwares em questão….

Ele tem de conseguir avaliar as imagens que o software gera. O médico dentista, na verdade, não precisa de saber aprender a trabalhar com o software, a não ser que queira fazer esse trabalho. O que ele tem realmente de saber fazer é utilizar as imagens 3D geradas pelo software para avaliar o caso e fazer o plano de tratamento.

Como é que os pacientes têm reagido à questão da odontologia emocional?

A odontologia emocional, na verdade, gera um impacto fantástico no paciente. Temos casos no mundo inteiro e a reposta é muito positiva. Simplesmente porque através destes protocolos conseguimos que o paciente se torne num coautor do design do seu sorriso. Através da comunicação visual que se gera ganhamos muito mais confiança, dado que o paciente se sente mais tranquilo porque vê e, em consequência, entende por que motivo o médico dentista está a oferecer aquela solução e com isso sente-se mais confortável em aceitar o plano.

O DSD permite, assim, resultados mais previsíveis?

A utilização do protocolo completo, além de gerar uma tranquilidade e confiança no paciente, gera muita previsibilidade e encurta o tempo de tratamento porque consegue-se fazer vários procedimentos concomitantes ao mesmo tempo. Através da tecnologia gera-se muita precisão, o que dá origem a uma recuperação mais rápida, a menos dor e a mais conforto, tudo isto são vantagens que geram um impacto muito grande no paciente. Além disso há a parte do marketing em si, porque o paciente vê os resultados da tecnologia, sente-se valorizado e acaba por valorizar ainda mais o trabalho do profissional.

O que é que os médicos dentistas e os técnicos necessitam de fazer para utilizar o DSD na sua prática profissional?

Os médicos dentistas têm de entender o conceito, não precisam de aprender nada e não precisam de comprar absolutamente nada, simplesmente precisam de compreender e gostar do conceito, assim como querer tirar proveito dele. Na verdade, quem tem de se adaptar é o protético, ou seja, o laboratório, que tem de incorporar a tecnologia para oferecer o serviço ao médico dentista.

Na sua opinião, quais são os desafios da implantodontia?

A implantodontia tem beneficiado bastante da tecnologia, sendo uma das áreas que mais a utiliza através dos softwares de cirurgia guiada. O nosso protocolo traz algumas inovações que fazem uma diferença muito interessante que é combinar a tecnologia de design do sorriso de análise facial dentro do software de cirurgia e também combinar o software de criação de restaurações dentro do software de cirurgia, então na verdade o software de cirurgia torna-se numa combinação de três softwares: análise facial design do sorriso, criação de restaurações e de próteses e o software cirúrgico tudo num único software, o que para nós gera o protocolo ideal

Na sua opinião, o futuro da medicina dentária passa pela tecnologia?

Sim, não há como escapar ou fugir. As pessoas podem sentir-se ameaçadas, mas não deveriam, dado que a tecnologia existe para as beneficiar. Os profissionais têm, por isso, de estar recetivos e saber usufruir porque a revolução já começou e vai acontecer de maneira muito rápida. Se os profissionais estiverem recetivos à tecnologia, muito em breve estarão na linha da frente.

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