Compras
As compras numa CMD estão fundamentalmente relacionadas com consumíveis, medicamentos e eventualmente produtos como escovas de dentes, dentífricos, entre outros. O grau de frequência de compras afecta naturalmente a gestão de stocks e com as recentes alterações legais (comunicação dos inventários), esta matéria torna-se premente na gestão de uma CMD, pois uma política menos regrada a este nível poderá gerar custos de oportunidade para a empresa (ter “capital empatado” no armazém). Idealmente, as compras de uma CMD devem representar entre 20% e 25% do total de custos. Obviamente que quanto menor esta percentagem, para o mesmo nível de facturação, maior o nível de eficiência de recursos da clínica, o que permite valorizar mais, em termos económicos, a empresa.
Custos salariais
Desde logo há que esclarecer que esta rubrica não contempla apenas os vencimentos base (brutos) dos colaboradores, mas sim os custos efectivos da empresa. Neste âmbito devemos contemplar a segurança social, prémios, horas extra, isenções de horário, subsídios e outro tipo de remunerações. É claro que nesta rubrica devemos também considerar os recibos verdes relativos a honorários dos prestadores de serviços. Em média, em Portugal, para obtermos um custo efectivo de um colaborador devemos multiplicar o seu salário base por 1,5. Não é taxativo, mas um bom indicador de análise. Incluimos no rol de colaboradores o próprio dono da clínica. Pelas boas práticas de gestão na área da medicina dentária, os gastos com pessoal numa CMD não devem superar os 40% dos custos totais. A partir deste valor, deve ser colocada em causa a produtividade dos colaboradores ou equacionar a redução do número de colaboradores da CMD.
Custos de estrutura
São tipicamente os custos que suportam a actividade operacional, do dia a dia, de uma CMD. Os FSE (fornecimentos e serviços externos) incluem várias rubricas de gastos, como sejam as telecomunicações, água, electricidade, combustíveis, deslocações, rendas e alugueres, seguros, limpeza e higiene, economato, entre outros. Depois temos despesas associadas com equipamentos (clínicos e não clínicos): alugueres, manutenção, amortizações e outros activos fixos tangíveis. Ainda devemos contemplar outros custos que são necessários para potenciar o negócio da CMD e que estão relacionados com o marketing e comunicação (ex.: eventos, marketing digital, merchandising, estacionário, patrocínios, entre outros). Nos últimos anos, os gastos de marketing nos CMD têm apresentado uma tendência de crescimento, devendo-se alocar no mínimo 5% dos custos totais, devendo-se manter uma perspectiva de continuidade.
Custos financeiros
Este tipo de custos existem sempre que uma CMD recorre a financiamento externo, nomeadamente hipotecas (para aquisição/construção do terreno e/ou imóvel), crédito de médio/longo prazo (para investimento), crédito à tesouraria (ex.: conta corrente caucionada), cartões de crédito, ou outros produtos financeiros como o leasing ou renting.
No final de tudo temos ainda os impostos para pagar… Estamos a falar da TSU (23,75% para colaboradores com contrato), Pagamentos por Conta e Pagamentos Especiais por Conta (obrigatório para as PME), IMI (Imposto sobre Imóveis), IRC (>=17%), Derrama Municipal (na maioria dos municípios é de 1,5% sobre os lucros) e Imposto Municipal de Publicidade (ex.: outdoor, carrinha,…).
Em jeito de conclusão, proponho-lhe um breve exercício:
- Divida o total de custos anuais da sua Clínica (ver na Demonstração de Resultados) pelo nº dias efectivos de trabalho e fique a saber qual o seu break even diário (ponto a partir do qual temos lucro);
- Agora divida pelo nº horas diárias que trabalha e saiba qual o valor/hora mínimo que deverá cobrar ao seu cliente;
- E por último, divida por 60 (minutos) e surpreenda-se com o que deve facturar por minuto para sustentar a sua estrutura…
- Agora, partilhe esta simulação com a sua equipa!
Se está com dificuldades em potenciar os proveitos da sua CMD, inicie de imediato uma análise rigorosa aos seus custos para aferir se tem possibilidade de reduzir nalguma rubrica. No final de tudo, o que interessa mesmo é quanto me sobrou na conta. E aí é que se vê a “verdadeira” rentabilidade.
Dilen Ratanji (O autor escreve de acordo com a antiga ortografia)



