Pedro Rabaço, Médico dentista, Diretor Clínico da Lisbon Dental Clinic, Docente na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Em criança qual a profissão que queria seguir?
Queria ser médico ou piloto porém, tendo começado a usar óculos aos dois anos, o sonho da aviação ficou posto de parte bem cedo.
O que o levou a optar pela medicina dentária?
O meu dentista, que infelizmente visitei com muita frequência. Ele não se cansava de dizer que eu iria ser dentista. Parece que teve razão.
A nível profissional, qual o episódio que mais o marcou?
Ainda recém-licenciado fiz uma reabilitação de um sorriso de uma senhora. No dia em que preparei os dentes e coloquei as provisórias, a paciente não parava de chorar de felicidade quando se viu ao espelho. Nesse momento fiquei impressionado com o poder que tinha nas minhas mãos.
Tem algum lema de vida?
Não tenho nenhum lema em particular, mas prezo muito alguns princípios como o respeito e o amor ao próximo. Além disso acredito plenamente que o nosso futuro depende do que fazemos hoje.
A nível profissional, do que mais se orgulha e do que mais se arrepende?
Orgulho-me da relação que tenho com os meus pacientes. É algo que me alimenta a alma todos os dias. E certamente que também fiquei muito orgulhoso de ter recebido este ano o Prémio Saúde Oral para a Reabilitação Oral. Quanto ao arrependimento saliento talvez o facto de não ter ainda feito o meu doutoramento.
Não sai de casa sem…
…contar até 4. Passo a explicar: como era frequente esquecer-me de alguma coisa sempre que saía de casa, decidi começar a fazer esta “contagem”. De facto, fossem as chaves de casa ou de carro, o telemóvel ou a carteira, a verdade é que faltava sempre alguma coisa. Temos que aprender a viver com nós próprios.
Qual o seu maior vício?
As minhas filhas.
Qual a palavra que melhor o descreve?
Perguntem às minhas filhas… mas porventura Humano não seja desadequado.
Projetos para 2016?
Avançar significativamente com o meu doutoramento.
O que falta no sector da medicina dentária em Portugal?
Seguramente muita coisa… Em todo o caso creio que poderei apontar como uma das principais questões a falta de visão estratégica ao nível académico, pois as entidades responsáveis ainda não atentaram nas reais consequências da existência de sete faculdades neste país. Em meados da década de oitenta, quando eu era ainda um caloiro na Faculdade de Coimbra, participei com os meus colegas na minha primeira greve como forma de me insurgir contra a abertura de faculdades privadas. Faço notar que já nessa altura foi revelado um estudo oficial que concluiu que as três faculdades então existentes seriam suficientes para garantir num período de médio/longo prazo, face à dimensão do país, um adequado número de médicos dentistas. Ora, decorridas três décadas cá estamos nós a assistir ao drama da maioria dos jovens dentistas deste país que se veem obrigados a emigrar ou a ser explorados em clínicas low-cost, e não só…
Artigo publicado na edição de novembro/dezembro de 2015 da revista SAÚDE ORAL


