Portugal é o segundo país da União Europeia com maiores necessidades de cuidados de saúde oral, pelo menos de acordo com o mais recente estudo ‘Cuidados de Saúde Oral – Universalização’, um documento encomendado pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) à Universidade Nova – School of Business & Economics e que revela, segundo a TVI 24, que no país 17,8% das pessoas com mais de 16 anos não têm as suas necessidades de saúde oral satisfeitas.
Na União Europeia, a média de pessoas que indicam não ter as necessidades de saúde oral satisfeitas ronda os 7,9%, uma média bastante inferior aos indicadores nacionais e que atira o país para o topo da tabela, entre aqueles que mais necessidades têm a esse nível.
No que diz respeito a cuidados de saúde no geral, são apenas 5,1% os portugueses com mais de 16 anos a indicar que não têm as suas necessidades satisfeitas, um valor claramente inferior às necessidades ao nível dos cuidados dentários.
De acordo com o estudo da Universidade Nova – School of Business & Economics, para dar acesso a cuidados de medicina dentária em regime de convenção com consultórios privados a todos os utentes, o Estado português teria que desembolsar todos os anos cerca de 280 milhões de euros.
“Quem sofre mais são os mais pobres”
Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), evidenciou esses números numa entrevista à Lusa e revelou que “quem sofre mais são os mais pobres, porque nem sequer acedem a cuidados de saúde oral, estão totalmente excluídos. Mas o estudo mostra que a classe médica também sofre muito […] porque tenta aceder a cuidados e a catástrofe é a do empobrecimento, de abdicar de outras despesas essenciais para pagar cuidados de despesas dentárias em situações especiais.”
De facto, de acordo com o estudo, não são apenas as famílias com rendimentos mais baixos que são afetadas por falta de cuidados de saúde oral, “mas também as de rendimentos mais elevados enfrentam despesas catastróficas quando acedem a serviços de saúde oral”, indica o estudo citado pela TVI 24.
Um estudo recentemente divulgado pela Ordem dos Médicos Dentistas já revelava que cerca de 50% da população idosa em Portugal não tem um único dente natural, um retrato do estado da saúde oral da população portuguesa.


