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42.º Congresso Anual da SPEMD: Especialistas juntam-se para debater a resolução de casos extremos

O 42.º Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD [1]) decorre de 14 a 16 de outubro na Figueira da Foz. Ana Messias, presidente da Comissão Organizadora, faz uma antevisão deste encontro que vai contar com especialistas nacionais e internacionais. O tema principal é a resolução de casos extremos.

O 42.º congresso da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária decorre em outubro, na Figueira da Foz. O que podemos esperar desta edição?

Esta será a edição do regresso aos congressos presenciais e, como tal, um momento de partilha científica e confraternização. Assim, a escolha da Figueira da Foz não foi inocente: o Centro de Artes e Espetáculos (CAE) oferece condições de excelência para a realização do congresso e a cidade mostra-se como um local icónico de encontros e atividades sociais.

Nesta edição do congresso iremos reunir as várias classes profissionais que colaboram para a promoção da saúde oral e bem-estar. Além dos médicos dentistas, médicos estomatologistas, estudantes e médicos internos, teremos sessões dedicadas a higienistas orais, e um curso de assistentes dentárias. Adicionalmente, teremos uma sessão interdisciplinar com prostodontistas e técnicos de prótese dentária que irá pôr a nu as dificuldades de comunicação e apresentar soluções para aproximar a clínica do laboratório e vice-versa.

“Nesta edição do congresso iremos reunir as várias classes profissionais que colaboram para a promoção da saúde oral e bem-estar.”

Por outro lado, as manhãs de sexta-feira e sábado disponibilizarão duas masterclass em áreas normalmente relegadas para um plano secundário, a odontopediatria e a reabilitação oclusal, com dois grandes nomes internacionais.

Este congresso incorporará igualmente o conceito de discussão de casos clínicos, após as apresentações do Prof. Júlio César Joly e Prof. Oswaldo Scopin.

Ainda devemos referir como alteração relativamente aos congressos anteriores a apresentação das comunicações vencedoras no palco principal do congresso, dando visibilidade à investigação que se faz no nosso País. Estas serão as grandes novidades do congresso de 2022.

Quais os principais temas que serão abordados?

O tema principal do congresso será a resolução de casos extremos e a comissão organizadora procurou fazer um programa científico equilibrado que desse semelhante espaço às diferentes áreas da medicina dentária e que mantivesse algum equilíbrio entre oradores nacionais e estrangeiros. Assim, haverá sessões de cirurgia e patologia oral, assim como de periodontologia e endodontia. Como referido, haverá também duas masterclass de odontopediatria e reabilitação oclusal. Teremos a abordagem de casos complexos em áreas estéticas envolvendo abordagens multidisciplinares de periodontologia, implantologia e prostodontia. Num outro painel, as mesmas questões estéticas em casos de restaurações diretas ou indiretas, nomeadamente com facetas cerâmicas. Acrescentamos que após cada uma destas conferências haverá o debate de casos com clínicos de renome portugueses, onde o debate de ideias será intenso e onde será possível perceber as diferentes abordagens afetas às diferentes formações dos clínicos.

O congresso conta com a participação de oradores estrangeiros. Em que medida é importante esta participação internacional?

O programa apresenta uma equilibrada distribuição de conferencistas nacionais e estrangeiros, com uma muito ligeira predominância dos primeiros. Do país vizinho virão a Prof.ª Patrícia Gatón e o Prof. António Romero para ministrar as masterclass de odontopediatria e reabilitação oclusal, respetivamente. A eles juntam-se o Prof. Eugénio Velasco, coordenador do Mestrado em Implantologia da Universidade de Sevilha e o Prof. Mariano del Canto Pingarrón, da Universidade de Léon, para falar da reabilitação com implantes em casos extremos maxilares e mandibulares. No painel de cirurgia oral teremos a presença do Prof. Pietro Felice, coordenador do Mestrado em Cirurgia da Universidade de Bolonha, reconhecida como a mais antiga do mundo, acompanhado do Prof. Francisco Salvado.

Como oradores principais, no sábado, teremos a participação de conferencistas do Brasil, o Prof. Júlio César Joly, fundador da famosa equipa ImplantePerio de São Paulo, e o Prof. Oswaldo Scopim, que fará a sua estreia em congresso em Portugal, que irão, como referido, fazer a abordagem de casos extremos em zonas estéticas, quer por questões periodontais em reabilitações com implantes, quer por questões de reabilitação com restaurações diretas e/ou indiretas. Acrescentamos que após cada uma destas conferências haverá o debate de casos com clínicos de renome portugueses, nomeadamente o Prof. João Carlos Ramos, Jorge André Cardoso, Alexandre Cavalheiro e Rui Isidro Falacho, onde o debate de ideias será intenso e onde será possível perceber as diferentes abordagens afetas às diferentes formações dos clínicos.

O restante painel de oradores portugueses é também de elevadíssimo nível. Falamos de nomes incontornáveis como António Mano Azul e Pedro Trancoso na patologia oral, acompanhados pelo Prof. Andrés Blanco Carrión de Santiago de Compostela. Na endodontia, o Prof. Paulo Palma, acompanhado da colega Nastaran Meschi da Universidade de Leuven e na periodontologia contamos com a Prof.ª Célia Coutinho, com o Dr. Gonçalo Assis e com o Diretor Global de Investigação da Johnson&Johnson Michael Lynch. Refiro ainda o painel de prótese que irá combinar a experiência de médicos dentistas (Prof. Salomão Rocha e Prof. Carlos Madeira) e técnicos de prótese (Luís Macieira e Cátia Branco) onde as questões clínicas e técnicas vão estar lado a lado, onde não vai haver tabus, onde a discussão pretende ser verdadeira e concreta, tanto na área da prótese fixa como na removível.

O congresso é também um espaço de partilha e aprendizagem para médicos dentistas?

O XLII Congresso Anual da SPEMD será um espaço de partilha e de encontro de pontos comuns entre diferentes categorias profissionais, o que promove maior qualidade nos tratamentos que diariamente prestamos aos pacientes. Por outro lado, as conferências irão debater alguns limites de atuação e de referenciação para o clínico geral, em linha com o que é o tema central do congresso, o que também é fundamental nos dias de hoje para uma boa prática clínica.

Além do programa geral de conferência/debate? O que mais compõe este Congresso de três dias?

Por um lado, é importante referir que no dia 13 de outubro, 5.ª feira, irão decorrer os cursos pré-congresso. Teremos uma imersão em fotografia com o Dr. Bruno Seabra e um curso de endodontia mecanizada com o Dr. João Prina. Haverá igualmente cursos direcionados a outras classes profissionais, nomeadamente assistentes dentários e higienistas orais.

“Haverá igualmente cursos direcionados a outras classes profissionais, nomeadamente assistentes dentários e higienistas orais.”

Devo referir que, além das conferências, decorrem as apresentações das comunicações candidatas a prémio – uma excelente oportunidade de ver os melhores trabalhos científicos submetidos ao congresso – e também o fórum de investigação. Neste, serão abordados os passos necessários para a execução de um projeto de investigação, desde o planeamento à publicação e divulgação.

Também é de salientar que a comissão organizadora do XLII congresso Anual da SPEMD tem em consideração a sua responsabilidade social e, no âmbito do congresso, irá realizar duas atividades de cariz social junto de crianças e de pessoas adultas institucionalizadas. Pretendemos retribuir a recetividade do concelho da Figueira da Foz promovendo a literacia em saúde oral, por forma a contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

“(…) no âmbito do congresso irá realizar duas atividades de âmbito socia junto de crianças e de pessoas adultas institucionalizadas.”

Este ano foi eleito o novo presidente da SPEMD, o professor de Medicina Dentária da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, Duarte Marques [2]. Esta nova presidência imprime também alguma novidade ao congresso?

A presidência do Professor Duarte Marques tem como estandartes de atuação a comunicação aos associados e a literacia em saúde. Como referi anteriormente, iremos promover duas ações de literacia em saúde que são novidade no contexto da realização do congresso anual. Por outro lado, temos procurado inovar na comunicação aos sócios e não sócios da SPEMD, através de uma imagem mais disruptiva do congresso, facilmente encontrada nas redes sociais. Essas serão as grandes novidades da presidência do Professor Duarte Marques no XLII Congresso Anual da SPEMD.

Em termos de participação, quais são as expectativas?

Tratando-se do congresso do reencontro presencial pós-pandemia, as expetativas de participação são altas, claro. Queremos reunir os diferentes profissionais da área num espaço que tem condições de exceção. Para tal, não só estruturámos um programa científico abrangente e cheio de qualidade, mas também mantivemos os preçários dos congressos pré-pandemia. Contamos com a presença de todos!

Haverá momento de networking e de partilha de forma mais informal? Como vão decorrer?

Sim, claro. Os intervalos/coffee-break são, por excelência, momentos de promoção desses contactos mais informais. Por forma a podermos otimizar esses momentos iremos fornecer almoços de trabalho aos congressistas, evitando a dispersão das pessoas no maior intervalo do programa do congresso. Adicionalmente, estamos a preparar a oferta de algumas atividades sociais/turísticas que permitirão aos congressistas conhecer melhor o concelho e, simultaneamente, estabelecer esses contactos informais.

* Artigo publicado na edição n.º 146 da revista SAÚDE ORAL [3], de setembro-outubro de 2022.