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Amálgama é cada vez menos usada na Nova Zelândia

A utilização de mercúrio em consultórios dentários na Nova Zelândia diminuiu drasticamente. A conclusão é do estudo The dental amalgam phasedown in New Zealand: A 20-year trend [1], realizado pelos investigadores da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Otago.

O estudo tinha como objetivo informar as instituições de ensino sobre as novas práticas e definir alterações ao currículo das disciplinas relacionadas com a medicina dentária, bem como compreender os motivos da redução gradual da utilização deste elemento.

As restaurações dentárias tratam dentes com lesões provocadas por cáries e evitam que as bactérias avancem e infetem a estrutura interna do dente. Durante muito tempo, na medicina dentária, os preenchimentos restauradores eram realizados, na maioria, com amálgama de prata [2]. Este material era composto por uma liga de mercúrico com limalha de prata, estanho e cobre. Apesar da sua durabilidade e resistência, o mercúrio é um metal pesado e tóxico, motivo pelo qual tem vindo a ser substituído por restaurações em resina composta.

Para o estudo, os investigadores analisaram os dados da faculdade sobre as características das restaurações, o material utilizado e o número de superfícies envolvidas para cada restauração, bem como dados de um inquérito nacional a dentistas da Nova Zelândia sobre a utilização de amálgama.

De acordo com os resultados do estudo, o uso de amálgama diminuiu de 52,3% em 1998 para 7,1% em 2017. Além disto, 64% dos inquiridos, no âmbito nacional, consideraram a resina composta como o seu material de preenchimento de eleição, enquanto apenas 13% favoreceram a amálgama.

“Agora, quando os alunos juniores de medicina dentária colocam preenchimentos de amálgama em simulações, em vez de ensinarmos a polir estes preenchimentos, ensinamo-los a perfurá-los e a substituí-los por um composto”, refere Jonathan Broadbent, autor principal do estudo, citado pelo Dental Tribune International.

Sobre os 13% de dentistas na Nova Zelândia que ainda preferem usar amálgama, Broadbent disse que ele próprio tinha experimentado a transição para uma prática sem amálgama e que foi necessário adaptar-se a uma nova forma de medicina dentária. “O mundo da medicina dentária não vai entrar em colapso quando a amálgama desaparecer”, acrescentou.

Em 2019, na 3.ª reunião da Conferência das Partes da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que decorreu em Genebra, na Suiça, foi renovado o compromisso para a eliminação gradual de produtos que tenham este elemento na sua composição, tendo sido declarado que, até 2020, os produtos que não cumprissem os requisitos estipulados deixariam de ser legais.