Os médicos dentistas no Reino Unido escreveram 17,6% mais prescrições de antibióticos [1] em 2020, face ao ano anterior, revelou um relatório do programa britânico de vigilância para os antibióticos [2]. O valor contrasta com o período entre 2016 e 2019, durante o qual se verificou uma diminuição acumulada de 18,4%, informa o Dental Tribune International [3].
Apesar deste aumento, segundo a British Dental Association (BDA [4]), o número de doentes que acederam aos serviços dentários de Inglaterra em 2020 foi menos de metade do registado em 2019. Além disso, um estudo de 2020 publicado no British Dental Journal [5] concluiu que, mesmo antes da pandemia, 80% dos antibióticos prescritos pelos médicos dentistas no Reino Unido e nos EUA resultaram numa utilização desnecessária que não estava de acordo com as orientações gerais.
A médica dentária em clínica geral, Wendy Thompson [6], considera que o aumento foi em grande parte resultado de restrições no acesso a consultas presenciais.
“Durante algum tempo, os cuidados remotos através de conselhos, analgésicos e antimicrobianos (se for caso disso) tornaram-se a orientação de emergência para nos tirar de um buraco onde simplesmente não havia provisão suficiente. Sem surpresa, durante este período, as taxas de prescrição em vez de procedimentos aumentaram drasticamente”, relatou.
Para combater esta preocupação, o BDA, a CGDent e a Association of Clinical Oral Microbiologists, entre outras, apelaram aos profissionais dentários e aos pacientes para se lembrarem que “os antibióticos não curam a dor de dentes”.