A terceira edição das Conferências Saúde Oral marcou o reencontro da classe dentária e dividiu-se em temas mais ligados ao funcionamento das clínicas e ao bem-estar dos profissionais. Fique com as principais considerações da apresentação levada a cabo pelo médico dentista Pedro Costa Monteiro, sobre o fluxo digital na estética dentária.
Ao final de dois anos sem a realização de eventos presenciais, as Conferências Saúde Oral voltaram a reunir profissionais do setor que ajudaram a pensar e a debater o tema “Smile Makeover: In&Out”. A iniciativa conjunta da publicação e da Abilways Portugal aconteceu no passado dia 21 de junho, no Hotel Sana Metropolitan, em Lisboa.
Pedro Costa-Monteiro, médico dentista, mestre em ortodontia e ortopedia facial recorreu a casos práticos para avaliar a sua rotina na prática clínica através da apresentação “Fluxo digital na estética dentária” e começou por alertar que a sua visão sobre a forma como atua na sua clínica pode ser um pouco polémica. Com 20 anos de curso, o médico dentista fez uma mudança grande na sua vida profissional ao fundar uma clínica com um colega da área de implantologia, Miguel Fraga. Passou para uma estrutura maior com novas exigências em que o fluxo digital tem ajudado a resolver alguns dos desafios e problemas inerentes às novas circunstâncias.
Vindo de um pequeno consultório em que trabalhava apenas com duas assistentes, atualmente lida com uma equipa de 22 pessoas, o que acaba por ser complexo de gerir. “O digital não é suficiente para enfrentar a concorrência”, afirmou, defendendo que aquilo que o permite diferenciar de outros é a abordagem virtual. “Como é que podemos tratar de alguém à distância?”, questionou, e explicou que lida mal com o insucesso e que não encarou nada bem o fecho da clínica devido aos constrangimentos decorrentes da pandemia de covid-19. “De repente, comecei a perceber o quanto gastamos na clínica com portas fechadas e isso é assustador.” Habituado a conquistar pacientes através das redes sociais já que tem uma presença ativa e recorrente nas mesmas optou por reagir durante a pandemia. “Percebeu-se que a área médica está a alterar-se.”
Suportando-se dos resultados de um estudo da DentalMonitoring, referiu que “as pessoas estão abertas a ter consultas e a ser acompanhadas online”. Com os pacientes acompanhados por Pedro Costa-Monteiro, a experiência tem sido mesmo essa. “Adoram não ter de ir à clínica e aproveitar o tempo para a sua atividade normal.” E, se presencialmente, os pacientes eram vistos a cada dois meses, com a abordagem virtual, é possível monitorizá-los a cada semana. “Há um workflow completamente novo”, garante. Ao fazer consultas gratuitas online durante os períodos de confinamento, conseguiu selecionar pessoas realmente interessadas em frequentar a clínica.
Os potenciais clientes “querem saber o preço”, o que permite fazer uma triagem. “Temos ainda uma aplicação que nos permite fazer uma primeira recolha de fotografias intra e extraorais e conseguimos, pelo menos, dar-lhes uma ideia, um caminho do diagnóstico.”
Nesta primeira consulta, o médico dentista garante que é possível dar uma perspetiva de custos. Claro que, depois desta primeira fase, é mandatório realizar um diagnóstico presencial. “As primeiras consultas reais são de pessoas que já me conhecem online.” Para tal, dedica duas horas uma vez por semana para a realização de várias consultas virtuais. Presencialmente, a sala de espera da sua clínica tem à disposição dos clientes um iPad que permite fotografar a cara e simular a colocação de aparelho fixo, aparelho fixo transparente e Invisalign. “E ainda conseguimos simular um branqueamento dentário. É uma estratégia de tentar converter mais pacientes.” Com toda a recolha de dados é possível traçar um plano de tratamentos “no imediato”. Com esta estratégia, o paciente só vai à clínica quando é estritamente necessário, o que permite “esvaziar imenso as agendas”.




