Um quarto dos cheques-dentista atribuídos na região da Lezíria e Médio Tejo não foram utilizados, noticiou esta semana o semanário regional O Mirante.
Contactada pela publicação local, Leila Brandão, médica dentista numa clínica em Tomar, disse que o desperdício de cheques-dentista num País e numa região onde parte da população não tem possibilidades de pagar consultas e tratamentos no privado é “inaceitável”. Rita Carreira, médica dentista numa clínica em Almeirim, apontou a negligência dos encarregados de educação, a falta de consciência em relação à saúde oral e, possivelmente, o medo de consultas de medicina dentária como alguns dos motivos para a não utilização dos vales. Nas clínicas onde trabalham, as duas profissionais afirmaram ao semanário regional que o maior número de atendimentos foi feito a crianças, seguindo-se as grávidas e os idosos.
Os dados provisórios de 2019, disponibilizados pela Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, indicam que foram emitidos para o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo 9977 cheques-dentista, dos quais 8260 foram utilizados, e para a Lezíria, foram emitidos 9353 cheques-dentista, sendo que 6272 foram utilizados.
Este programa foi lançado em 2008 e abrange grupos considerados mais vulneráveis, mas o alargamento do cheque-dentista e a inclusão de crianças até aos dois anos estão ainda por garantir, sem data prevista para entrar em vigor. Desde o início do programa, para a região foram emitidos 212 560 cheques, dos quais foram utilizados 152 821.