Nem sempre o tradicional está ultrapassado, nem sempre o moderno é melhor. O que importa é a gestão consciente de risco. Contudo, por vezes surgem tendências sedutoras, demasiado atraentes para ignorarmos. E a dúvida instala-se: será só uma moda passageira, efémera como quase todas, ou inovação real, dando vantagem aos primeiros que a adotarem? Dito de outra forma: venderia bolas de Berlim na praia se fosse inverno?
O pêndulo que balança entre mudar ou ficar como se está traz o maior desafio de qualquer empresa: conseguir realizar uma observação fidedigna do mercado, que permita tomar a decisão estratégica. E por “observação fidedigna do mercado” entende-se uma rotina de acompanhamento da atualidade para retirar conclusões.
Na prática, se está nesta encruzilhada com a sua clínica tente reunir informação para responder às seguintes questões:
- A que necessidades dos pacientes responde a minha clínica? A todas no que toca à saúde oral ou tenho áreas por explorar?
- Desejo reforçar a diversidade do serviço de saúde oral ou caminhar para a inovação face ao convencional?
- Quero manter a oferta na dentária ou seguir um caminho com outros serviços de saúde e/ou relacionados com saúde?
- Do que pretendo implementar, que oferta existe na concorrência da minha zona geográfica de atuação? Há quanto tempo existe e que adesão tem?
- Que custos trará a implementação do que pretendo e quando conseguirei o seu retorno?
- Qual a melhor altura para lançar o que é novo ou reforçar o que existe?
As respostas têm de refletir o tempo que dedicou a pesquisar online e no terreno, assim como o seu know-how resultante da experiência à frente da clínica que detém (seja médico dentista, higienista oral ou gestor). Além disso, deve aplicar a informação obtida numa matriz simples de prós e contras. Se assim for, está na posse de algumas conclusões que lhe oferecerão menos risco do que os mergulhos de cabeça feitos com “intuição”, a falsa amiga das empresas e companheira habitual da gestão ruinosa.
Desta forma conseguirá perceber se é o momento certo para a mudança ou, em vez disso, se deve esperar por melhor oportunidade. Porque correr atrás do que os outros garantem “estar na moda” significa quase sempre o oposto. Quem escolhe o inverno para vender bolas de Berlim na praia vê tudo menos o óbvio: não existe vivalma no areal para comprá-las.
Dirigir uma clínica é ter um serviço para responder às necessidades de quem o procura, inclusive as mais básicas. Fuja das “ideias brilhantes” que teimam ser possível forçar alguém a querer o que ninguém deseja. Venderia bolas de Berlim na praia se fosse inverno? Claro que não, nem de verão [1] iria fazê-lo, pois no setor da dentária promover algo nocivo à saúde oral está fora de causa. No extremo oposto fica o correto: dê as voltas que der, o serviço da sua clínica terá sempre de acudir aos estragos de quem come bolas de Berlim e não cuida da higiene oral.
*Presidente da Incisivos [2] – Associação dos Empresários da Medicina Dentária