Entrevista a Ricardo Dias, Médico dentista, Figura do Ano na Área da Oclusão nos Prémios Saúde Oral 2015
Em criança qual a profissão que queria seguir?
Sinceramente, em criança sonhava ser toureiro (risos). Mas não passava de um imaginário típico de qualquer criança. Cresci no seio de uma família humilde de comerciantes, onde constantemente era atraído e envolvido nos diversos projetos empreendedores da família. Contudo, a área da saúde sempre foi a prioridade e um fascínio que ganhou consistência ao longo do percurso escolar. A disponibilidade e a vontade de contribuir para uma melhor saúde e melhor qualidade de vida do próximo foram-se constituindo como projeto para vida. Ser médico era a resposta sempre presente.
O que o levou a optar pela medicina dentária?
Após concluir o secundário, as opções eram o curso de medicina ou de medicina dentária. Existe um ditado que diz: ”Os últimos são sempre os primeiros”. No meu caso particular, este ditado concretizou-se. Entrei na última opção da minha candidatura, o curso de Medicina Dentária da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. A entrada no curso e o evoluir da formação levaram a um apaixonar por toda a envolvência técnico-científica que caracteriza esta profissão. A meio do curso tive a possibilidade de mudar para medicina, mas a resposta foi negativa. Queria ser médico dentista e dar o melhor em prol desta profissão.
A nível profissional, qual o episódio que mais o marcou?
Felizmente tenho a sorte de poder exercer a minha profissão através da prática clínica privada, integrando diversos projetos clínicos de equipas multidisciplinares. Além disso, tenho a possibilidade de exercer docência e investigação na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Integrando todas as vertentes, sem dúvida que um momento marcante foi a conclusão do Doutoramento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em Março de 2015. Acima de tudo porque, na minha opinião, marca uma maior responsabilidade para uma prática clínica e docência de excelência, em prol dos pacientes e alunos.
Tem algum lema de vida?
Sou escuteiro desde os sete anos. O escutismo é um modo de vida onde aprendi a “estar sempre Alerta para servir” e procurar “deixar o mundo um pouco melhor” do que aquilo que o encontrei.
A nível profissional, do que mais se orgulha e do que mais se arrepende?
Aquilo que mais me orgulha é o poder partilhar a profissão, colaborando diretamente com colegas que um dia foram meus professores, meus mestres e que, ainda hoje, continuam a ser referências pelo exemplo, determinação, entrega, paixão pela profissão e partilha constantes. A possibilidade de integrar e trabalhar em equipas multidisciplinares, lideradas por colegas que são referências nacionais e internacionais é sem dúvida motivo de orgulho mas, acima de tudo, de muito sentido de responsabilidade acrescida. A exigência mútua por uma prática clínica e docência de excelência são sinónimos de motivação, entrega e interajuda permanentes. Sinceramente não encontro nenhum motivo de arrependimento profissional. Tenho procurado dar passos certos e apostar tudo numa formação e atualização contínua constantes.
Não sai de casa sem…
Agradecer a Deus por mais um dia e dar um beijo à minha esposa e filha.
Qual o seu maior vício?
Todos os vícios têm de ser alimentados. Ser médico dentista seria um vício impossível sem o suporte de uma esposa e uma filhota adoráveis.
Qual a palavra que melhor o descreve?
Disponibilidade.
Projetos para 2016?
A vida profissional é uma resposta constante aos projetos que se vão apresentando. TODOS, maiores ou menores, são determinantes e devem marcar o crescimento e enriquecimento pessoal e profissional. A consolidação contínua de todos os projetos clínicos em que estou envolvido apresentam-se sempre como o meu principal objetivo. Neste ano em particular, ser membro da comissão organizadora do 2º Congresso da Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial é sem dúvida mais um desafio importante. Temos como objetivo consolidar o sucesso que foi o congresso do ano passado, numa iniciativa multidisciplinar em torno dos temas da disfunção temporomandibular e dor orofacial.
O que falta no sector da medicina dentária em Portugal?
Acima de tudo uma medicina dentária para TODOS. Garantir o acesso de todos os cidadãos a cuidados diferenciados de medicina dentária é uma condição fundamental e estrutural, na garantia de uma saúde pública adequada. O esforço do Governo, Ordem, instituições de saúde, profissionais, entidades, agentes de saúde e cidadãos tem de continuar para que um dia esta seja uma realidade associada à medicina dentária portuguesa.
Artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro de 2016 da revista SAÚDE ORAL