O médico dentista Pedro Cosme, da Malo Clinic Lisboa, alertou para três tendências alimentares em voga que podem não ser benéficas para a saúde oral, no âmbito do Dia da Alimentação (16 de outubro).
“A alimentação tem uma grande influência na saúde oral, sendo várias as doenças, ao nível dos dentes e gengivas, que podem ser provocadas pelo teor de açúcar ou de acidez dos alimentos que ingerimos regularmente. Assim, quando se procura mudar o tipo de alimentação ou acrescentar novos hábitos, é importante garantir que se estão a ingerir os alimentos certos na altura correta para que não existam impactos negativos na saúde oral”, explica o médico dentista.
No caso da tendência de redução do consumo de carne e peixe Pedro Cosme alerta que “pode diminuir-se perigosamente a ingestão de alguns nutrientes que têm um papel fundamental na saúde oral. É o caso de proteínas, cálcio, fósforo e vitaminas A, D e K, que ajudam na regeneração de dentes e gengivas, e de gorduras, ferro e das vitaminas B12 e C, que reduzem o risco de aftas e doenças gengivais”.
“Por outro lado, a tentativa de repor esse défice de nutrientes pode levar a comer pequenas porções de alimentos várias vezes ao longo do dia ou nos intervalos das refeições, o que pode aumentar significativamente o risco de cárie e de erosão ácida”, acrescenta.
No caso da moda da água com limão antes do pequeno-almoço: “Uma vez que, durante a noite, a produção e fluxo de saliva – que é responsável por neutralizar os ácidos – diminuem consideravelmente, durante a manhã e ainda em jejum, os dentes estão mais propícios à erosão dentária. Assim, qualquer água – ou mesmo sumos – com frutas ácidas, como limão, laranja ou abacaxi devem ser evitadas em jejum ou nos intervalos das refeições”, explica.
Por fim, os dos snacks de fruta desidratada “podem impactar na saúde oral por, muitas vezes, terem açúcares adicionados e uma consistência que facilmente adere aos dentes, aumentando a incidência de cáries”.
“Assim, este tipo de alimento deve ser consumido de forma bastante moderada, entre intervalos das refeições e, idealmente, ser feito em casa, para garantir que não existe adição de açúcares que aumentem o risco cariogénico”, conclui.


