Vários são os motivos que me levam a esta reflexão acerca dos caminhos tortuosos que a Arte Dentária enfrenta no século XXI. Devemos considerar, dentre muitas, algumas das variáveis que poderão sem dúvida alterar completamente os destinos e, porque não dizer, a verdadeira função social da Medicina Dentária.
Dentre elas:
. Excesso de faculdades;
. Carência cultural e financeira da sociedade;
. Ausência de macro políticas de prevenção e promoção da Saúde Oral;
. Despolitização da classe médico-dentária;
. Planos de assistência dentária.
Graças à ganância no sector educacional privado e à irresponsabilidade oficial, somadas à impotência das entidades de classe, presenciamos nos quarenta anos da existência da Medicina Dentária a abertura de Faculdades, como se viessem a sanar o deficit sanitário Oral, do qual não nos devemos vangloriar.
Do ponto de vista governamental, o grande equívoco de que aumentando a oferta de profissionais diminuísse o custo do tratamento, como se a Saúde fosse uma simples mercadoria sujeita às peripécias de “tecnocratas iluminados”.
Paralelamente, percebemos a proliferação dos planos de assistência “dentária”, que muito poderão colaborar para o aumento do acesso da população ao tratamento dentário, porém longe de estarem a atuar dentro da necessidade dos profissionais e da sociedade. Podemos afirmar, com certeza, que em Portugal muitos “empresários” aventureiros, aproveitadores da lacuna legal que o sistema nos oferece ou deixa de oferecer, lançando para o mercado planos dentários sem o mínimo critério ético e profissional.
Com certeza que a Medicina Dentária tem o triste privilégio de estar mergulhada em duas espécies de crise: a crise oficial, proporcionada pelo desinteresse político e sujeita às piores consequências que uma profissão (das mais belas, diga-se de passagem) pode sofrer, o sucateamento de seus exímios profissionais, com a panaceia dos “cheques dentista e quejandos”.
O ónus dessa transformação será, sem dúvida, não só dos profissionais, mas de toda a sociedade.


