A maior percentagem de adultos com dentes cariados ou obturados registou-se entre os indivíduos dos 41 aos 50 anos (96,6%); enquanto o maior número médio de dentes cariados foi registado no escalão dos 17 aos 30 anos e o de dentes obturados entre os indivíduos dos 31 aos 40. Quando analisada em termos de sexos, foi possível constatar que as mulheres apresentaram maior número médio de dentes obturados (4,45 vs 3,80) e os homens registaram maior número médio de dentes cariados (3,34 vs 3,14).
Dificuldades económicas e fobias dificultam tratamentos
Entre os indivíduos observados, verificou-se que apenas 49,4% dos adultos com sintomas de abcesso, dor ou sensibilidade dentária ao ácido, doce, frio ou quente procuraram tratamento profissional nos três meses anteriores ao rastreio.
Verificou-se igualmente que entre as crianças dos oito aos 16 anos com os mesmos sintomas, essa percentagem foi ainda menor: 17,2%. E entre o conjunto das crianças participantes, só 45,3% das que tiveram, pelo menos, um dos sintomas, é que procuraram tratamento profissional.
Estes fracos índices de procura de profissionais por quem tem doenças dentárias ou periodontais (gengivais) devem-se a um amplo conjunto de causas, como dificuldades de acesso, consciência da gravidade da situação, insuficiências económicas, défices de formação e/ou informação, limitações pessoais e até situações de ansiedade ou fobia dentária, contra as quais a iniciativa da Colgate e SPEMD tem procurado agir ao longo dos anos.
De acordo com um estudo publicado na Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial, da autoria de Mariana Andias Ferreira, M. Conceição Manso e Sandra Gavinha, a ansiedade que as intervenções dentárias despertam na população afecta 52,7% dos portugueses, com 28,7% a revelarem-se “muito ansiosos” e 24% “ansiosos”.
Entre os “muito ansiosos”, 22% admitem ter tido uma experiência traumática em consultas anteriores, 20% só recorrem aos profissionais de Saúde Oral em caso de dores e 17% faltam às consultas por causa da ansiedade.
Além das experiências traumatizantes prévias, a grande causa da ansiedade dentária, têm sido detectadas outras causas para este fenómeno, como a percepção dos efeitos das doenças orais, o setting terapêutico (broca, seringa, etc.) e o risco de dano para a imagem pessoal ou de redução das funções orais (alimentação, fala, beijo).
Segundo o mesmo estudo, ver a agulha (40,7%), sentir a agulha (50%), ver a broca (30,2%), ouvir a broca (39,3%) e sentir a broca (40%) são estímulos que “aterrorizam” os pacientes. Fazer uma limpeza só “aterroriza” 10%, mas é suficiente para transmitir ansiedade a 33,3% dos indivíduos.
Em muitos casos, a ansiedade chega a perturbar o sono na noite que antecede a consulta, provocando mesmo mau humor e cansaço. Com a aproximação da visita, a ansiedade aumenta e, durante os tratamentos, os pacientes sentem “quase sempre” um aumento da tensão muscular (40%), do ritmo respiratório (35,3%) e do ritmo cardíaco (34%). “Por vezes”, também aumenta a sudação (35,3%) e o enjoo (43,3%).
Como aumentar a confiança
Para aumentar a confiança nos consultórios dentários, aderir a tratamentos dentários ou periodontais sempre que necessário e promover a higiene oral entre a população, os especialistas têm sugerido a adopção de várias medidas pelas famílias ou pacientes, como criar hábitos de consultas preventivas desde cedo, para que as crianças possam controlar a ansiedade dentária, muitas vezes irracional; manter uma higiene oral diária adequada para detectar precocemente lesões, que assim são mais fáceis de tratar e menos dolorosas para os pacientes.
O estudo divulgado no decorrer da 9ª edição do Mês da Saúde Oral resulta dos mais de 12.600 rastreios dentários realizados em Outubro de 2007, no âmbito da anterior edição do Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD. Nele colaboraram cerca de 1.500 profissionais de Saúde Oral em cerca de dois mil consultórios dentários de todo o país, incluindo Madeira e Açores.
O Mês da Saúde Oral é uma acção de responsabilidade social desenvolvida em parceria pela Colgate e a SPEMD e tem como principais objectivos realizar um check-up dentário gratuito à população portuguesa; sensibilizar e educar a população para importância de hábitos correctos de Saúde Oral; conhecer o estado da saúde oral da população e desenvolver acções que levem à sua melhoria.