Um desafio que o responsável abraçou com o intuito de promover a saúde oral sem protagonismo pessoal, insistindo por isso em ser um espaço de pluralidade. «A medicina preventiva é a solução ideal para evitar custos elevados de tratamentos que nunca deixarão de ser soluções de compromisso», explicou Mário Rodrigues em entrevista à Saúde Oral.
Entre os grandes objectivos da UPPO constam o desenvolvimento de métodos para a implementação de medidas de prevenção, com vista a melhorar os cuidados de saúde oral dos portugueses envolvendo, para o efeito, equipas pluridisciplinares de médicos, médicos dentistas, enfermeiros, higienistas orais, educadores, psicólogos, assistentes sociais e responsáveis de educação de uma forma original e integrada. «Os tratamentos pluridisciplinares têm forçosamente de incluir a prevenção no centro do diagnóstico. E ao falarmos de prevenção falamos de comunicação, relacionamento interpessoal, avaliação de necessidades… e não só em flúor e técnicas de escovagem». Por isso mesmo, Mário Rodrigues admite ser relevante «perceber a importância de ter educadores e psicólogos envolvidos no processo terapêutico».
Medicina preventiva individualizada
No entender da UPPO, há que implementar a cultura de saúde oral integrada num conceito global de saúde nunca dissociada de uma medicina holística com envolvência de desporto, bem-estar e de medicina preventiva.
Por outro lado, é também objectivo desta União a implementação de programas preventivos específicos sempre em consonância com a população a que se destinam, procurando ir ao encontro das necessidades reais de cada um, estabelecendo, em Portugal, o conceito de “medicina preventiva individualizada”.
O desenvolvimento de metodologias de ensino para ajudar profissionais de saúde oral na implementação da medicina preventiva, nomeadamente desenvolvendo competências de comunicação, de psicologia e de educação para o tratamento é outra faceta que não vai ser esquecida pela UPPO.
Tudo isto, afiança Mário Rodrigues, associado ao desenvolvimento do conceito de “clínica de qualidade” ligado a um reconhecimento dado por esta associação «às clínicas que integrem esta forma inovadora de fazer saúde oral onde nomeadamente as noções de educação para o tratamento, medicina preventiva e higiene de vida são centrais no trabalho desenvolvido».
Mas há mais. A UPPO propõe-se a efectuar rastreios, tratamentos e observar os resultados obtidos com as diversas abordagens. Isto para além de elaborar propostas e recomendações para os poderes públicos e opinião pública sobre saúde oral e prevenção. Ou até estabelecer parcerias com instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras de saúde oral de modo a promover a saúde oral em Portugal bem como o conceito de “saúde na prevenção”. E para além de reunir, de uma forma periódica, profissionais de saúde, associações de consumidores e instituições financeiras para em conjunto ser debatido a problemática da prevenção e sua implementação em Portugal, querem ainda organizar encontros, colóquios, reuniões, conferências, congressos, seminários ou cursos.
Saúde oral é um problema essencialmente comportamental
A proposta passa, por isso, por encarar a saúde oral como um problema essencialmente comportamental, imputando-lhe uma abordagem pluridisciplinar na saúde oral. Para isso, Mário Rodrigues defende o envolvimento da sociedade civil na resolução do seu próprio problema. «A quantidade de pacientes que foram submetidos a grandes tratamentos e que não tem noções mínimas de prevenção é enorme», elucidou Mário Rodrigues. «Numa altura em que a nossa sociedade parece estar a evoluir para uma atitude de promoção de saúde e de bem-estar associada a lazer, será importante para nós centrar o debate na prevenção dos problemas buco dentários enquanto promotores de saúde que somos». Na opinião deste responsável, «a promoção da prevenção na clínica privada é quase um mito cheio de obstáculos, quando na verdade deveria ser uma oportunidade única para criar uma relação de confiança com os nossos pacientes».
Profissionais muitas vezes estão “formatados”
Por isso mesmo, e na tal óptica de abordagem pluridisciplinar, os membros associados da UPPO são os educadores, pais, professores, nutricionistas, assistentes sociais, professores de desporto, psicólogos, médicos, farmacêutico, médicos dentistas, higienistas orais, terapeutas da fala… «O primeiro a ter de repensar a sua atitude é sem dúvida o profissional, que muitas vezes se encontra “formatado” na resolução de problemas que já existem, sem tempo para se preocupar com a causa das ocorrências».
Mário Rodrigues assume que seria importante que as formações contínuas que se têm vindo a desenvolver soubessem estar atentas a assuntos relacionados com a promoção de prevenção oral na clínica privada, comunicação, relacionamento interpessoal e qualidade no atendimento, não se reduzindo a algo de fundamental mas não suficiente: a competência técnica. «Temos de saber compreender e falar a linguagem dos nossos pacientes ou continuaremos tristemente sós, aborrecidos com aquilo que muitas vezes julgamos ser a falta de dinheiro de quem nos procura… A saúde oral é um problema cultural e a sua resolução pluridisciplinar», explicou o médico dentista.
No seu entender, a promoção da saúde oral e a forma de a apresentar aos pacientes pode e deve ser impulsionadora de tratamentos curativos a quem precisar. «Elementos securizantes e de distabilidade com vista a reduzir a ansiedade e aumentar a motivação são fundamentais para uma melhor relação». Aliás, para Mário Rodrigues, o desafio é mesmo promover nos pacientes a vontade de tratar e evitar os seus próprios problemas.