- Saude Oral - https://arquivo.saudeoral.pt -

Adolescentes europeus: Estudo Helena revela tendências de saúde preocupantes

O estudo Helena vai, assim, fornecer dados comparáveis sobre ingestão de alimentos, preferências alimentares e actividade física entre os adolescentes europeus de ambos os sexos, entre os 13 e os 17 anos de idade.
Posteriormente, estes dados vão ser utilizados para desenvolver um programa de educação do estilo de vida dirigido aos adolescentes, bem como novos alimentos saudáveis, de forma a contrariar as tendências preocupantes relativas à sua saúde – o número de crianças obesas ou com excesso de peso na UE está a aumentar em cerca de 40.000 cada ano.
Durante o anúncio dos resultados obtidos, no Simpósio Internacional em Granada, Espanha, o coordenador do projecto, Luis Moreno, explicou que «o estudo Helena providencia o quadro mais ilustrativo alguma vez alcançado na Europa sobre o status nutricional e comportamental, bem como o modelo de exercício físico de 3.000 adolescentes entre os 13 e os 17 anos. É a primeira vez que iremos ter um quadro viável da situação, analisada através de uma metodologia comum em dez países da União Europeia [Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Espanha, Suécia e Reino Unido]. Esta informação vai nos possibilitar desenvolver recomendações efectivas no futuro», destacou.
Uma das descobertas mais alarmantes incidiu na composição da dieta dos adolescentes na Europa. A título de exemplo, apenas 13 a 16% dos adolescentes comem, respectivamente, 200 gramas de vegetais e, pelo menos, duas peças de fruta todos os dias. Em comparação, 50% dos adolescentes consome quantidades de gordura superiores a 35% do consumo total de energia.
Apesar de existir um largo número de dados científicos disponíveis sobre a prevalência da obesidade, esta não é a única doença crónica que poderá afectar os adolescentes, num futuro próximo.
Com o intuito de facilitar a posterior análise da evolução de doenças crónicas na Europa no futuro, o estudo em causa criou indicadores de referência para os níveis de hipertensão, níveis elevados de colesterol e doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.
Outro resultado divulgado incidiu na proporção de adolescentes que acumulam 60 minutos de exercício físico moderado por dia: 58% nos rapazes e 31% nas raparigas. No entanto, a população feminina demonstrou possuir um conhecimento mais aprofundado sobre nutrição, respondendo a 62% das respostas de forma correcta.
O estudo analisou, ainda, o impacto de estudos de intervenção que visaram a promoção da actividade física e de hábitos alimentares mais saudáveis. Os três meses de intervenção tiveram, de forma efectiva, efeitos positivos no incremento de hábitos alimentares saudáveis (em particular, na ingestão de água, fibras e consumo de legumes), além do aumento da actividade física.
Num esforço para encontrar alternativas mais saudáveis à popular comida fast-food, um hambúrguer com baixo teor de gordura e uma bebida feita à base de cereais foi desenvolvida e testada. Os resultados serão partilhados com a indústria alimentar à medida que a popularidade da comida conduzir, como se espera, a um sucesso comercial.