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Este ano apenas cinco dentistas receberam o certificado da EAO. Um deles é português

Depois de ter passado por um rigoroso processo de seleção, José Maria Pinheiro Torres conquistou o certificado da Associação Europeia de Osseointegração (EAO), uma das mais reconhecidas organizações científicas internacionais a nível da implantologia.

O médico dentista começou a preparar a candidatura em fevereiro deste ano, um processo que implicou várias horas de estudo e a documentação de seis casos clínicos sujeitos à análise do júri. “É preciso um estudo exaustivo e uma minuciosa  preparação dos casos clínicos. É um belo exercício intelectual, deu-me muito prazer, e ter corrido bem compensou o esforço”.

José Maria Pinheiro Torres concorreu com outros quatro candidatos de várias nacionalidades num exame bastante exclusivo. “Este ano passámos todos e recebemos os parabéns da EAO pois apenas um grupo restrito de 25 profissionais em todo o mundo detém este certificado até à data”.

Jose Maria Pinheiro Torres - apresentação EAO

Os seis casos clínicos propostos a exame têm de seguir regras estritas e normas apertadas de documentação, como “exames radiográficos, registos fotográficos e uma fundamentação clínica e teórica exaustiva, bem como um follow-up de no mínimo 6 meses. Posso dizer que cada caso demora cerca de três dias a preparar”.

Exame teórico e prova oral

Após o envio dos seis casos clínicos, que funciona como triagem para os candidatos à certificação, a cada candidato é mandatório o conhecimento profundo  em anatomia, radiologia, terapêutica, fisiologia, entre outras áreas, bem como proposta a leitura de aproximadamente 80 artigos científicos de variados temas relacionados com implantologia. Estes conhecimentos são postos à prova num teste de escolha múltipla. “Este exame teórico consiste em 50 perguntas para responder em duas horas. Posso dizer que estudei bastante, mas não é um exame simples, é muito clínico”.

Os candidatos têm de acertar em 60% das respostas, o que dá acesso à prova oral “onde defendemos os casos clínicos propostos. Dos seis casos defendi três escolhidos pelo júri. Todos eles tinham em comum uma forte componente no manuseamento de tecidos moles, com follow-ups de 5 a 7 anos, sendo alguns destes casos tecnicamente originais”.

vencedores Prémios Associação Europeia de Osseointegração - Saúde Oral

No caso de José Maria Pinheiro Torres, depois de ser informado que tinha conquistado a certificação ainda foi convidado a fazer a apresentação de um dos casos clínicos durante o congresso. “Tive dez minutos para a apresentação, submetendo-me de seguida às perguntas da audiência. Posso dizer que a apresentação não excedeu os 10 minutos, mas a sessão de perguntas e respostas prolongou-se por 30 minutos, suscitando um forte interesse pela audiência. A técnica apresentada torna-se muito interessante pois assenta no potencial regenerativo do próprio organismo, evitando a utilização de biomateriais, com excelentes resultados e estáveis a longo prazo. Todas as afirmações proferidas, tanto na prova oral, como na apresentação, têm de estar cientificamente documentadas”.

Em 2010 foi a vez de João Paulo Tondela receber a certificação da EAO, juntamente com outros três médicos dentistas da Suécia e do Japão.