Com o tema do uso excessivo de antimicrobianos [1] e o aumento das bactérias resistentes a estes fármacos na agenda de todos os profissionais de saúde, um grupo de investigadores da New York University College of Dentistry quis analisar a influência dos antibióticos como profilaxia nas infeções em implantes dentários. Os resultados mostram que a utilização de antibióticos como estratégia de prevenção de infeções pós-operatórias na colocação de implantes dentários pode ser desaconselhada.
A Organização Mundial de Saúde estima que ocorram, a nível global, cerca de 700 mil mortes anuais causadas por bactérias multirresistentes, um número que a mesma entidade prevê que aumente para os dez milhões até 2050. O aumento anual destes números já levou a Comissão Europeia a criar um plano de ação com metas anuais de combate às resistências antimicrobianas e está a deixar a comunidade médica e científica em alerta.
O estudo agora publicado quis mostrar que os antibióticos, frequentemente utilizados em odontologia por se acreditar que podem impactar positivamente a taxa de sobrevivência dos implantes dentários, podem, afinal, não ser indicados como estratégia de profilaxia.
Os investigadores fizeram a revisão de 1022 abstracts e ainda dez ensaios clínicos, comparando a utilização de antibióticos, a não utilização e a utilização de um placebo na colocação de implantes dentários.
De acordo com o estudo, que pode ser lido na íntegra aqui [2]: “Esta revisão sistemática sugere que a profilaxia com antibióticos pode não ser indicada para a prevenção de infeções pós-operatórias na colocação de implantes dentários em pacientes que, no global, são saudáveis.”