«Observámos não só casos em que o processo inflamatório já tinha destruído a área que circunda o osso, provocando perda dentária em muitos pacientes, mas também casos em que a inflamação se propagou pelo organismo. Uma pessoa com periodontite pode ter duas vezes mais probabilidades de ter um ataque cardíaco e aproximadamente três vezes mais hipóteses de ter um acidente vascular cerebral», salientou ao “Newswise”, o especialista em doenças periodontais Richard Crout, reitor associado de investigação na West Virginia University School of Dentistry.
«Uma mulher grávida tem entre quatro a sete vezes mais probabilidades de dar à luz prematuramente em comparação com uma mulher sem aquela condição», referiu o especialista que partilhou algumas descobertas durante a 94th Annual Meeting of the American Academy of Periodontology, que terminou ontem em Seattle.
Ao contrário da gengivite que é reversível, a periodontite pode gerar infecções abaixo da linha da gengiva, provocando a destruição do osso e perda dentária se não for tratada. O sangramento das gengivas pode indicar uma gengivite mas na periodontite não existem dores ou sintomas que acompanham a infecção quando esta se dissemina pelo osso».
85% dos adultos com sinais de perda óssea
Além das dramáticas taxas de prevalência de doença periodontal, a descoberta de elevadas contagens de bactérias e a virulência de organismos patogénicos que provocam a doença surpreendeu os investigadores.
«Estas descobertas são significativas num Estado que lidera a nação em termos de perda dentária total aos 65 anos». «A média nacional é 20%, mas na West Virginia é 43%», contou Crout.
Os investigadores da WVU University, que contaram com a colaboração da University of Pittsburg, acompanharam as famílias de West Virginia desde 2002, analisando factores genéticos e ambientais, incluindo atitudes, comportamentos e crenças, tendo também examinado amostras microbianas.
Os investigadores explicaram que as gerações mais antigas e que já perderam a dentição natural costumam transmitir aos seus descendentes determinadas ideias como, por exemplo, que os mais novos não têm que se preocupar porque vão acabar por perder os dentes mais cedo ou mais tarde.
«Descobrimos que o medo de ir ao médico dentista é muito maior nos jovens. Pode ser uma das razões que pelas quais um terço das crianças apresentar perda dentária não tratada aos oito anos em West Virgínia», indicou Crout, referindo igualmente que «um terço dos adultos de West Virgínia com idade inferior a 35 anos já perderam, no mínimo, seis dentes permanentes. A nossa investigação descobriu que mais de 25% das pessoas prefere ficar sem um dente ao invés de receber um tratamento adequado que lhe permita preservar o mesmo. O medo foi um dos principais factores».
Crout espera que as conclusões do estudo permitam travar este problema e incentive as pessoas a levarem os seus filhos quando os primeiros dentes começarem a irromper.