A investigação mostra que a administração diária de aspirina pode ajudar no combate a diversos tipos de cancro. O ácido acetilsalicílico comprovou ser um aliado inesperado na batalha contra uma das doenças que mais mata no mundo.
No estudo foram analisados 51 ensaios médicos, que contaram com a participação de milhares de pacientes receitados para a toma do medicamento na prevenção das doenças cardiovasculares. “Comprovámos que o uso diário de aspirina reduz a longo prazo o risco de alguns tipos de cancro, particularmente do cólon e do esófago. No entanto, o medicamento só começa a fazer efeito nestes casos oito ou dez anos depois de iniciar os tratamentos”, revela Peter Rothwell, professor e membro da equipa de investigação.
Uma das novidades que o relatório apresenta é o impacto da aspirina na luta contra a doença a curto prazo. A equipa concluiu que a aspirina também tem efeitos significativos num espaço de dois a três anos, reduzindo a capacidade do cancro se propagar, o que se traduz num grande avanço no combate à doença.
A nova descoberta exige um aperfeiçoamento para confirmar os efeitos adicionais na propagação da doença. Segundo a investigação, o consumo de uma dose baixa, entre 75 a 300 miligramas (mg) de aspirina reduz o número total de cancros em cerca de um quarto, num período de três anos. Se os pacientes consumirem aspirina por mais tempo, as mortes relacionadas com cancro caem ainda mais: 37% após cinco anos. Doses baixas de aspirina também reduzem a probabilidade de o cancro, principalmente no intestino, se espalhar para outras partes do corpo, em até 50% em alguns casos.