A investigação pode dar origem à criação de uma ferramenta de triagem, como um esfregaço do interior da boca ou um teste de saliva – de forma a avaliar a vulnerabilidade do paciente para este problema. O Steptococcus mutans é a bactéria conhecida por provocar as cáries. Normalmente fica confinada à boca, mas por vezes entra na corrente sanguínea, especialmente após um procedimento dentário ou após o uso vigoroso do fio dental.
Por norma, o sistema imunitário consegue combater as bactérias, mas por vezes conseguem deslocar-se até ao coração e colonizar o seu tecido, especialmente as válvulas cardíacas, podendo originar endocardite, uma inflamação das válvulas do coração, que pode ser letal.
No estudo verificou-se que uma proteína de ligação do colagénio, vulgarmente conhecida por CNM, fornece à S. mutans a capacidade de invadir os tecidos do coração. Quando a equipa eliminou o gene para CNM em estirpes onde normalmente estava presente, as bactérias não conseguiram invadir o tecido cardíaco.
Os dados agora descobertos podem permitir aos médicos avaliar a vulnerabilidade de um paciente a uma infeção cardíaca causada pela bactéria graças ao uso do CNM como um marcador biológico e tratá-lo preventivamente com antibióticos, por exemplo.
Os cientistas reforçaram a importância de uma boa higiene oral diária com o objetivo de diminuir o número de bactérias patogénicas na boca.