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Bastonário da OMD diz que “é preciso investimento público no setor privado da medicina dentária”

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, participou, no passado dia 4 de junho, nas Jornadas Parlamentares CDS/PP, nas quais defendeu a necessidade de maior investimento público no setor privado na medicina dentária [1].  O evento contou ainda com a participação da bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, e do presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo.

Durante a sua intervenção, Orlando Monteiro da Silva abordou a falta de acesso de grande parte da população aos cuidados de saúde oral, com uma profissão “quase orientada exclusivamente para a prática liberal”, financiada por pagamentos diretos das pessoas, o que na sua opinião penaliza grande parte dos portugueses. De acordo com o bastonário da OMD, “é preciso investimento público no setor privado da medicina dentária”.

O bastonário referiu ainda que, nos últimos anos, o Governo deu início à integração de cuidados de medicina dentária no SNS, “uma experiência interessante, que acompanha outras existentes”, mas que tem fatores menos positivos, nomeadamente “a ausência de uma carreira de medicina dentária.” [2]

“Os médicos dentistas são contratados por empresas prestadoras de serviços, em condições obsoletas”, com a agravante de que “os centros de saúde mudam de profissionais todos os anos”. “Criar uma carreira” é, por isso, “fundamental”, defendeu Orlando Monteiro da Silva.

No que toca à visão da OMD em relação à saúde, o responsável lembrou que “esquecemo-nos de ver o sistema no todo”, no qual o setor “privado tem um papel importante, e vai continuar a ter, na prestação de cuidados de saúde, sobretudo preventivos e de reabilitação, e no acesso da população à saúde”.

O bastonário dos médicos dentistas aproveitou ainda para lembrar que “a qualidade da formação académica nacional não é suficiente para reter talentos”, referindo que se verifica que as faculdades estão já “a investir na atração de estudantes de outras nacionalidades”. “Cerca de 35% dos nossos estudantes são já estrangeiros, franceses, espanhóis, italianos, entre outros”, revelou.