Ao longo do evento foi analisado o impacto das mais recentes alterações legislativas, bem como as necessidades formativas dos profissionais do setor. No domínio da acessibilidade ao mercado, ao medicamento foram apresentadas diferentes perspetivas sobre um assunto condicionante para a obtenção de resultados em saúde.
Em defesa da Saúde Pública foi tema do último painel do evento, que registou a participação dos bastonários da Ordem dos Médicos Dentistas, da Ordem dos Farmacêuticos e da Ordem dos Médicos Veterinários.
Orlando Monteiro da Silva, líder da OMD, depois de elogiar o facto de estar sentado numa mesa “sem ângulos” entre as profissões, numa verdadeira mesa-redonda, defendeu que há assuntos “transversais” que afetam grande parte dos diferentes setores da Saúde, nomeadamente a sustentabilidade do sistema, o consumo de recursos e os diferentes vetores da regulação. Neste capítulo, Monteiro da Silva apontou o dedo à “sobreposição do papel dos diferentes reguladores”, criticando o “atropelo” e o afã regulador das várias entidades que estão no terreno. E deu como exemplo os EUA, que “são uma sociedade que promove a auto-regulação, nomeadamente na Saúde”, mas onde não haverá essa voragem de imposição indiscriminada de medidas, segundo o bastonário da OMD.
Em comentário “obrigatório” à atualidade portuguesa, o porta-voz dos dentistas lusos sublinhou que o setor “já estava a cumprir” grande parte das imposições levadas a cabo pela famosa “troika”, cuja ação tem posto o país em polvorosa.
Monteiro da Silva lembrou que, ao contrário da ideia vigente, “quando se defendem os profissionais (da Saúde) estamos a dar efetivo contributo para a própria Saúde Pública”, mas não deixou passar em claro a oportunidade de criticar abertamente o sistema de ensino “que está a dar problemas” porque está a gerar profissionais altamente qualificados que são obrigados a emigrar. Para o bastonário, as ordens têm sido pouco dinâmicas na defesa e clarificação da necessidade de se formarem menos profissionais anualmente.