O estudo, publicado na edição de Agosto da revista “Development Cell”, indica que a fenda palatina é uma das malformações congénitas mais comuns, ocorrendo um caso em cada 700 nascimentos. Esta condição é mais comum nas crianças descendentes de índio-americanos, hispânicos e asiáticos, noticiou o “Science Daily”.
Mas os genes não são o único factor a influenciar a malformação, referiu Yang Chai, professor e director da USC School of Dentistry’s Center for Craniofacial Molecular Biology.
Cientistas de todo o mundo acreditam que a maioria dos casos de fenda palatina e labial são estimulados por uma interacção de factores genéticos e ambientais, apesar de não ser identificada uma causa específica em todos os bebés.
Segundo Chai, os factores de crescimento responsáveis pelo desenvolvimento, incluindo a formação de palato e da dentição, possuem mais do que uma forma de fazer com que as células se modifiquem.
A equipa de Chai tem vindo a analisar o papel da família dos factores TGF-β na formação de problemas do palato, sendo que estes não estão apenas envolvidos na formação do palato, uma vez que desempenham um papel fundamental em todo o organismo humano, ligando-se aos receptores da superfície das células e activando a sua sinalização molecular. Estas moléculas de sinalização encaminham-se posteriormente para o núcleo, o centro de controlo das células, e induzem a expressão do ADN de forma a estimular mudanças na célula.
«Por exemplo, aprendemos que quando alguém apresenta uma insuficiência haplóide e lhe falta uma cópia do gene TGF-β, esse indivíduo encontra-se mais vulnerável a agressões ambientais e que podem conduzir à formação da fenda palatina, como as drogas, o tabaco e o álcool», explicou Chai.
A Smad4 é uma das principais moléculas de sinalização usadas no caminho do TGF-β durante o desenvolvimento do palato e da dentição. Segundo Chai, a sua equipa começou por colocar a hipótese de, se as irregularidades no gene TGF-β ou nos receptores de superfície da célula estimulam a malformação do palato em ratos de laboratório, então, eliminando os genes Smad4 poderia ou não ter o mesmo efeito.
«Descobrimos que se bloqueássemos o TGF-β ou os receptores, a fenda do palato desenvolver-se-ia», afirmou. «Mas, quando o Smad4 foi bloqueado, um a concha palatina continuava a ser coberta por um epitélio palatino normal».
Estudos futuros sobre a matéria podem vir a ter grandes implicações, não apenas nas malformações orais congénitas como a fenda do palato, mas também em malformações e doenças em tecidos por todo o corpo, sendo que os pacientes poderão um dia vir a beneficiar de novo aconselhamento genético e métodos de tratamento baseados nesta informação, prevê Chai.