A Clínica Dentária Dr. Jorge João abriu portas há 16 anos, «num espaço mais pequeno que foi ampliado em 1995», conta o proprietário e director clínico que deu nome ao consultório.
Apesar da muita concorrência inicial, o consultório foi ganhando o seu espaço e o trabalho desenvolvido começou a ganhar admiradores que, «se mantém fiéis até hoje, chegando inclusive a vir da outra margem ou de Lisboa – para onde entretanto se mudaram – de propósito para a consulta», conta Jorge João.
E se quando iniciou a actividade alguns colegas lhe disseram que estava a enveredar por uma «missão suicida», o sucesso foi tal que passado pouco tempo adquiriu mais uma cadeira. Hoje em dia sente que o esforço inicial compensou reunindo actualmente «cinco cadeiras, algo excepcional, num espaço pequeno».
Partilha de experiências
Inicialmente a trabalhar sozinho, porque como conta «entrei no projecto de cabeça», Jorge João reúne actualmente uma equipa de quatro médicos dentistas «generalistas, mas que investem mais em determinadas áreas».
Defendendo um «atendimento personalizado», na Clínica Dr. Jorge João acredita-se que é fundamental «perceber o que o cliente precisa, qual a hora mais conveniente para os tratamentos ou os seus gostos pessoais». Além disso, é condição sine qua non tratar todos os pacientes pelo nome e estar «sempre disponível para os atender», afirma o médico dentista que divide o seu tempo por duas clínicas, organizando a sua agenda de modo a ter espaço para estudar. O responsável defende que a formação deve ser contínua e que muitos colegas, e até clientes, erram ao pensar que «ir a um seminário ou congresso é tempo perdido a passear, além do elevado custo que tal acarreta».
Outra crítica que o director clínico aponta a muitos colegas é a tentação que muitos têm ao «isolar-se no seu casulo», havendo ainda «falta de partilha de conhecimentos». Jorge João defende não só essa troca de experiências, como não tem qualquer pudor em recomendar aos seus pacientes outra clínica quando não consegue encontrar solução para o problema. Até porque entende que pensar apenas no aspecto monetário, «ser dentista por dinheiro», é eticamente reprovável, porque em vez de se pensar em resolver clinicamente o caso, começa-se a raciocinar «que tratamentos posso fazer a este paciente de modo a ganhar o máximo possível».
Assim, na Clínica Dr. Jorge João defende-se a “teoria da mãezinha”, pois antes de realizar qualquer procedimento ou sugerir determinado tratamento se questiona: «se fosse a minha mãe, fazia isto assim?».
Resolver problemas
Pautando por uma relação de extrema transparência com os seus doentes, a clínica começou logo por inovar ao «manter o equipamento de esterilização à vista dos clientes» e mantém, desde o início, o hábito de fechar à quarta-feira de manhã «para manutenção de todo o material», porque consideram fundamental «manter todas as condições a 100%».
Disponíveis para o público estão tratamentos na área da cirurgia, ortodontia, odontopediatria, endodontia, prostodontia, implantologia e dentisteria.
Muito importante para o sucesso das intervenções, a relação com o protésico é igualmente muito próxima, havendo três profissionais que, além de receberem os relatórios clínicos e fotografias via e-mail ou correio, «fazem visitas regulares ao consultório para analisar o caso e conhecer o doente». Esta proximidade faz com que se perceba as necessidades de cada pessoa – «é diferente ver um modelo de gesso ou a pessoa presencialmente. Faz toda a diferença» – e «quando um trabalho não está bem executado ou o paciente não gosta, se possa refazer até estar a 100%». Como sublinha Jorge João, «só se ganha com este tipo de atitude, quer em confiança, quer em reputação».
Ambiente favorável
No ambiente do consultório, marcado pelas cores alegres e montras de brinquedos, nota-se que este foi construído de forma a criar um ambiente favorável não só para os pacientes adultos – «uma vez que servem de quebra-gelo em muitas situações, pois alguns deles evocam recordações agradáveis» -, mas sobretudo para as crianças.
Normalmente mais avessos a sentar-se na cadeira do dentista, os mais novos têm em Jorge João um médico que lhes fala «de igual para igual» e passa a ser «o tio Jorge».
Contudo, confessa que a sua taxa de sucesso «é muito mais elevada quando a criança nunca foi a outro médico dentista ou os pais não lhe incutiram os seus receios». Muito fruto da sua experiência na infância, em que o seu médico dentista lhe explicava todos os procedimentos que realizava, Jorge João cultiva este comportamento que contribui para muito do sucesso da clínica. E este é tal que muitos dos seus pacientes são trazidos pelos pais que o consultam igualmente desde crianças.
Educação para a saúde oral
No entender de Jorge João, a saúde oral dos portugueses «tem vindo a melhorar ao longo dos anos», embora considere que há «falta de maiores campanhas de divulgação e sensibilização para estas questões». Daí que avalie o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral como «insuficiente», embora acalente a esperança de que «a passinhos pequenos» se possa atingir o objectivo final de melhor saúde oral para todos, «num sistema em que estivesse envolvido o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas e que tivesse um plano de consultas de prevenção obrigatório, semelhante ao da vacinação».
Nesta clínica defende-se que mais do que apoios a tratamentos dentários, há que incutir uma educação para a saúde oral que passa também por «uma mudança cultural». A título de exemplo, Jorge João evoca os casos dos seus clientes imigrantes, que, «apesar dos baixos recursos económicos, chegam ao consultório com o seu processo clínico na mão, trazido do Brasil, e pedem para continuar o tratamento que estavam a realizar». E conclui: «isto ainda é impensável em Portugal». Porém, salienta que, no seu caso, não tem qualquer problema em fazer isto com os seus pacientes e gostaria que, muito em breve, os colegas médicos dentistas perdessem os pruridos que têm em trabalhar «num espírito de cooperação e partilha de conhecimentos», uma ideia sempre constante ao longo do discurso de Jorge João.