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Clínicas Pedagógicas de Medicina Dentária da Universidade Fernando Pessoa

A funcionarem desde 2001, o ano passado as clínicas tiveram direito a uma pausa, durante a qual foram efectuadas obras de melhoramento do espaço físico de atendimento ao público. E, hoje, este projecto que nasceu com o intuito de aliar uma aprendizagem em contexto real à prestação de cuidados de saúde oral à comunidade, continua a alcançar números relevantes. No primeiro semestre de 2008, foram realizadas mais de 10.500 consultas, que contemplam o atendimento clínico em todas as áreas da medicina dentária que fazem parte da formação geral do aluno no âmbito do Mestrado Integrado. Sandra Gavinha confirmou à Saúde Oral que, actualmente, a média diária das clínicas ascende a 150 pacientes por dia.

Para além das Clínicas Pedagógicas de Medicina Dentária, a Universidade Fernando Pessoa (UFP) dispõe ainda de mais quatro estruturas com os mesmos princípios orientadores: a Clínica Pedagógica de Fisioterapia, a Clínica Pedagógica de Reabilitação Psicomotora, a Clínica Pedagógica de Terapêutica da Fala e o Laboratório de Análises Clínicas.

Saúde Oral: Desde a criação das Clínicas Pedagógicas de Medicina Dentária da UFP, em 2001, o número de consultas realizadas tem registado um aumento na ordem dos 20% por semestre, numas instalações que permitem acolher 80 consultas em simultâneo. Na prática, como tudo funciona?
Sandra Gavinha: Cada paciente é atendido por dois alunos, sendo que um faz o papel de médico e outro de assistente. E depois obviamente alternam os papéis. Esses alunos já concluíram a sua licenciatura em Ciências Dentárias, utilizando estas clínicas para a efectivação dos dois anos de Mestrado Integrado. Ou seja, para além de um espaço de atendimento, as Clínicas acabam por funcionar como campo de investigação.

– Mas presumo que os trabalhos sejam monitorizados por docentes.
– Obviamente. Para monitorizar os trabalhos, a UFP garante um docente para cada seis grupos de alunos. Um rácio que considero excelente tendo em vista o praticado na Europa.

– Qual é o objectivo primordial destas clínicas? E já foi atingido, esse objectivo?
– O objectivo destas clínicas, que garanto está a ser perfeitamente alcançado, é que os alunos consigam encontrar aqui uma realidade similar à dos consultórios nos quais os futuros profissionais irão exercer a sua carreira. Aqui, os alunos dispõem de todas as condições para uma aprendizagem prática de elevada qualidade e em contexto real, sempre supervisionada pelos docentes.

– Nomeadamente contam com o apoio de várias áreask, como a imagiologia.
– Sim, os alunos têm ao seu dispor, para além dos gabinetes de atendimento, uma área de imagiologia, um laboratório de apoio a trabalhos protésicos e ainda um espaço de atendimento pré-clínico onde os futuros profissionais preparam e testam os conhecimentos adquiridos.
Há uma ainda uma sala para tratamentos diferenciados onde os alunos do último ano podem assistir a intervenções mais complexas. Intervenções estas que são realizados pelos próprios docentes.

– Mas é verdade que as Clínicas Pedagógicas ultrapassam largamente o conceito de um espaço académico, abraçando a comunidade onde está inserida.
– Sim, isto porque acabam por colmatar algumas lacunas em termos de prestação de cuidados de saúde oral à comunidade, em especial à população mais carenciada. Estamos muito virados para a comunidade. Foi este o nosso objectivo desde o início e por isso está fora de causa qualquer prática privada. Por essa razão os tratamentos são três ou mesmo quatro vezes menos dispendiosos do que o praticado no mercado de trabalho.

– Quem são os vosso principais utentes?
– Temos utentes de todas as faixas, mas obviamente que até pelas suas características, acabamos por servir uma faixa mais desprotegida. Até porque a Universidade Fernando Pessoa tem inúmeros protocolos com instituições às quais presta cuidados nesta área, nomeadamente ao nível da odontopediatria.

– Como fazem a captação de pacientes?
 – Nunca tivemos dificuldades na captação de pacientes. Nunca fizemos publicidade, até porque não está dentro do nosso âmbito. O “boca-a-boca”, neste caso, é a melhor e a mais correcta forma de divulgação. Posso dizer-lhe que no princípio a principal difusão era feita pelos próprios alunos, que traziam os seus amigos e familiares.

– Como define, de uma forma geral, o ensino da medicina dentária no nosso país?
– É uma agradável surpresa. Este curso, em Portugal, está muito bem estruturado, sendo dos melhores da Europa e por isso gozando de uma proveitosa notoriedade. Os nossos profissionais conseguem ter sucesso em vários países da Europa. Os alunos saem com uma excelente formação das nossas faculdades. Vemos isso claramente através das experiências que eles têm no programa Erasmus.

– Tal como o Projecto Ambulatório de Saúde Oral e Pública, apresentado publicamente por esta instituição em Janeiro de 2003, também as Clínicas Pedagógicas de Medicina Dentária não têm como objectivo o retorno do investimento, certo?
– Exacto, não é essa a nossa meta, por isso os valores investidos não são mesurados dessa forma.

– Em termos de investimento, não vão parar com estas obras de melhoramento. O que está previsto? Qual é o próximo passo?
– Posso-lhe já adiantar que é a criação de uma Clínica de Pós-Graduação. Aliás, parte destas obras foram já pensadas de forma a contemplarem as valências necessárias para atingir esse objectivo. Agora, resta saber o que vai ser definido em termos científicos. Porque, de resto, a clínica já está preparada para acolher essa valência.