Estão no mercado há 20 anos e já mudaram de instalações três vezes. Sempre no Barreiro, onde fazem questão de ficar. Falámos com Hélder Nunes Costa e Sofia Menezes, que explicam porque mudaram radicalmente a imagem da clínica e como isso trouxe um acréscimo de pacientes.
Quando optaram por trocar os garridos verdes e laranjas pelos sóbrios brancos e pretos, aquando a mudança de instalações, as reações dos pacientes perante a nova imagem da CMO Clinic, no Barreiro, não se fizeram esperar: houve quem amasse, quem odiasse e quem, por exemplo, comparasse o novo ‘rosto’ da clínica a uma discoteca. O certo é que, três anos após a mudança para instalações mais amplas, os sócios Helder Nunes Costa e Sofia Menezes garantem que o número de pacientes “tem vindo a aumentar, sendo que temos tido um grande número de primeiras consultas. As pessoas vão passando a palavra e, neste momento, já somos muito procurados em determinadas áreas, nomeadamente ortodontia e implantes”.

A história da CMO Clinic remonta há 20 anos, quando “comprámos o nosso primeiro espaço, no Barreiro, em 1997”, declara Hélder Nunes Costa, diretor-clínico. O espaço atual é o terceiro onde a clínica [1]se fixa. O que tem vindo a ditar estas mudanças de instalações tem sido o crescimento da clínica. De acordo com Sofia Menezes, subdiretora-clínica, uma vez que não se pretendia a saída da zona central do Barreiro “foi complicado encontrar um espaço ideal sem sair deste raio de ação”. Mas, em 2013, a meta de encontrar este espaço foi atingida, apesar de ter coincidido com “uma época pouco propícia para investimentos”, como relembra Hélder Nunes Costa, já que ocorreu em plena crise económica. Porém, “nunca nos arrependemos da mudança, pois estávamos sufocados há muito tempo, em termos de espaço”, relata o médico dentista.
Três áreas funcionais
Atualmente, a CMO Clinic está dividida em três áreas funcionais: o espaço do atendimento ao paciente, onde os expoentes máximos são a receção e a sala de espera; a área clínica e a zona da formação. “Somos caracterizados por uma dualidade, pois por um lado somos uma clínica que presta serviços médico-dentários ao público e, por outro, uma entidade formadora certificada”, explica o diretor-clínico. Relativamente à clínica propriamente dita, “temos todas as valências da saúde oral, desde implantologia, dentisteria, endodontia, ortodontia, oclusão, medicina do sono, etc.”, sublinha o médico dentista. Quanto à formação “é uma valência relativamente recente, já que foi iniciada no ano passado”, revela Hélder Nunes Costa, explicando que “o nosso primeiro curso aconteceu no Porto, em junho, e a seguir ao verão começamos com cursos na área da ortodontia e da assistência dentária”.

A CMO Clinic funciona “num regime de clínica integrada”, sublinha o médico dentista. No início “é feito o diagnóstico e o plano de tratamento integrado, que é apresentado ao paciente, e a partir do momento em que este o aceita inicia-se a sequência determinada e, em cada uma das valências, a pessoa é vista por um colega que só se dedica a essa valência”. Uma forma de trabalhar facilitada pelo facto de “estarmos completamente informatizados e, por isso, os planos de tratamento estão disponíveis em todos os terminais. Qualquer um dos profissionais consegue saber a todo o momento qual é o plano do paciente em questão”. Relativamente aos pacientes notou-se que “as pessoas passaram a ter menos possibilidades financeiras, daí que era frequente não aceitarem o plano de tratamento ideal, contentando-se com um compromisso entre aquilo que era o ideal e aquilo que tinham possibilidade de pagar”, aponta Hélder Nunes Costa, rematando que “a saúde oral passou a ser uma segunda prioridade na vida das pessoas”.

No âmbito desta forma de funcionamento, destaca-se um elemento ‘unificador’: Sofia Menezes. “Sou generalista e encarrego-me de fazer a triagem dos pacientes quando chegam à clínica”, refere a subdiretora-clínica, especificando que “as primeiras consultas são comigo e a partir daí, mediante os problemas do paciente, encaminho para os colegas indicados”.
Duas classes
Nestes 20 anos de CMO Clinic que, no fundo, coincidem com o tempo de profissão dos dois médicos dentistas, muito tem mudado na área da Saúde Oral. “Desde que nos graduámos há 20 anos evoluiu-se muito na área do conhecimento, dos materiais e das tecnologias. Presentemente temos técnicas e materiais que não sonhávamos há 20 anos”, declara Hélder Nunes Costa. No entanto, nem todas as mudanças ao longo destas duas décadas foram positivas: “temos um mercado muito mais saturado, ou seja, o número de médicos dentistas tem vindo a aumentar nos últimos anos, a meu ver de uma forma não controlada”, indica o diretor-clínico. “Quando saí da faculdade escolhi o local para onde quis trabalhar e hoje pergunto sempre aos meus alunos o que os motivou a escolher a medicina dentária e que expetativas têm. Este ano, pela primeira vez, 10% responderam de imediato que pensam em emigrar”.
Para o médico dentista, este cenário acarreta perigos, dado que “teoricamente, quando os médicos dentistas saíam da faculdade estavam todos ao mesmo nível em termos de conhecimento e capacidade técnica. Com o passar dos anos, iam fazendo a sua formação e ganhando experiência nas áreas que escolheram, não havendo uma disparidade muito significativa da capacidade técnica do dentista A em relação à do dentista B, que faz a mesma coisa”. Hoje em dia o cenário é diferente, visto que “a formação, como é privada, é extremamente cara. O médico dentista que sai do curso e opta por ficar em Portugal arranja três ou quatro sítios onde consegue trabalhar, mas chegando ao fim da semana constata que só fez três dentisterias, uma extração dentária e começou uma endodontia. Ou seja, esse colega não só não vai ter capacidade para ganhar o dinheiro necessário para continuar a formação, como não tem prática clínica suficiente para desenvolver a sua experiência”.

Deste modo, do ponto de vista de Hélder Nunes Costa este médico dentista “vai ter a infelicidade de estar cada vez mais distante em termos de proficiência técnica daquele outro colega que, seja por que razão for, faz 60 dentisterias por semana e ganha dinheiro suficiente para continuar a apostar na sua formação”. Ou seja, “cada vez a distância entre estes dois profissionais vai ser maior estamos a criar duas classes, em termos de médicos dentistas, com capacidades distintas”, conclui o diretor-clínico, acrescentando que “esta é a consequência mais infeliz de toda esta história de haver um número elevado de médicos dentistas no mercado”.