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Como Luís Redinha desenvolveu um sistema que pode revolucionar o mundo dos scanners intra orais

Certo dia, durante um almoço com representantes de uma multinacional, Luís Redinha apercebeu-se de uma lacuna na captação de imagem dos scanners intra orais para modelos de próteses dentárias. Desde então que o médico dentista tem dedicado a sua atenção ao estudo do arco facial virtual para scanners intra orais.

“Neste momento ainda não tenho uma validação prática do conceito, porque não o consigo fazer sem que haja um fabricante de scanners que incorpore no software estes passos. Os articuladores virtuais que já existem nos sistemas de modelação dos cad/cam têm toda esta informação, mas é necessário que, no processo de digitalização, sejam pedidas imagens específicas para poder transmitir toda a informação”.

Mas afinal do que estamos a falar?

“Hoje em dia, se quisermos fazer reabilitação oral ou algo que implique precisão e complexidade é necessário fazer modelos normais e passar a informação para um articulador, um dispositivo mecânico que reproduz tridimensionalmente a face, em termos de movimentos e posições. É necessário um arco facial convencional físico, que vulgarmente encaixa nos ouvidos, um terceiro ponto de apoio e uma forqueta que localiza os dentes em relação à base do crânio. Isso permite, de forma controlada, transportar para o articulador a posição tridimensional semelhante ao que tem no sistema estomátognatico”. Para isso é necessário recorrer a um arco facial e um registo de relação do maxilar superior com o inferior.

“Quando se pretende trabalhar com os sistemas de cad/cam de laboratório, para esta informação para poder chegar ao articulador virtual é necessário digitalizar todo o articulador para que apareça reproduzido na ferramenta de trabalho virtual a relação tridimensional que conseguimos, com o arco facial físico”.

Hoje em dia, com o uso dos scanners intra orais, os modelos físicos podem ser dispensáveis, ou seja, faz-se a impressão e a mesma aparece num ambiente virtual. “Mas isso se serve para um dente, ou algo simples, é muito pouco preciso e falta informação quando começamos a trabalhar com reabilitações mais complexas”, explica Luís Redinha [1]. “A câmara intra oral capta a arcada inferior e superior, mas não a relação com pontos tridimensionais da base do crânio, como faz o arco facial”.

Para as reabilitações de maior complexidade, mesmo usando o scanner intra oral, é necessário fazer um arco facial convencional e digitalizar novamente o articulador ou um jig de posicionamento. “Precisamos de duas digitalizações para conseguir transportar a informação para o sistema virtual de modelação”.

O que falta para que o work-flow seja todo digital é a “possibilidade de transferir a informação que o arco facial convencional transfere para o articulador, mas fazê-lo com o recurso ao scanner intraoral. E isso até aqui não estava disponível. Há muitos projetos a tentá-lo, havendo mesmo um sistema complexo que permite incorporar essa informação, mas que, não sendo feito a partir do scanner, obriga à aquisição de um equipamento específico muito dispendioso e a um passo clínico extra que necessita de tempo clínico e treino”, explica Luís Redinha.

Como tudo começou

Depois de ter a ideia, Luís Redinha estudou o processo e iniciou o registo das patentes em Portugal, em outubro de 2014. Já o registo internacional foi efetuado em 2015 e em abril deste ano foi publicado. “É um protocolo que está finalizado e trancado. Estou na fase de criar ruído para trazer a bordo um fabricante de scanners para poder concretizar a ideia”.

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Contudo, sendo necessariamente o futuro das impressões intra orais, é ainda uma tecnologia que não se encontra muito disseminada, o que talvez esteja relacionado com os custos e a dificuldade de rentabilização. “São sistemas caros e que, além do custo inicial, têm fees de utilização com algum significado. Comecei há cinco anos e desde então uso sempre este sistema para a prótese fixa. É um salto gigantesco em termos de capacidade de execução, qualidade de trabalho e de modelos, é o futuro no presente…”.

A questão é conseguir um modelo de rentabilização para um consultório médio. “Talvez, à imagem do que se tem vindo a ver com a associação de laboratórios de prótese para constituir centros de fresagem, isso possa acontecer com os scanners ou eventualmente um sistema de aluguer operacional, em que os scanners sejam alugados ao dia?”

Em resumo, esta patente vem colmatar uma limitação no fluxo de trabalho digital, e “permitir que na reabilitação oral ou na ortodontia, os casos complexos possam de uma forma fácil e, basicamente sem custos, ser executados num patamar técnico semelhante ao da utilização de um articulador convencional semi ajustável com uso de arco facial”.