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Entrevista

Congresso SPDOF: A dimensão das inscrições e do interesse manifestado pelos colegas foi avassaladora

Congresso SPDOF: A dimensão das inscrições e do interesse manifestado pelos colegas foi avassaladora

A SAÚDE ORAL esteve à conversa com Júlio Fonseca, um dos responsáveis pela organização do Congresso SPDOF, que não podia estar mais satisfeito com o balanço de um evento que juntou mais de 500 profissionais.

Qual o balanço que fazem do 1º Congresso de Abordagem Multidisciplinar de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial?

A Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SPDOF) associou-se ao Serviço de Cirurgia Maxilo-Facial do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra na organização do 1º Congresso de Abordagem Multidisciplinar da Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial. Este evento decorreu nos passados dias 14, 15 e 16 de Maio, em Coimbra e contou com a presença de mais de 550 profissionais, oferecendo um programa multidisciplinar dividido por três dias.

O perfil dos profissionais de saúde inscritos abrangeu Médicos Dentistas, Médicos de Medicina Geral e Familiar, Estomatologistas, Cirurgiões Maxilo-Faciais, Otorrinolaringologistas, Fisioterapeutas, Terapeutas da Fala e Psicólogos. Um grupo multidisciplinar que pretendeu enriquecer os seus conhecimentos sobre esta área cada vez mais importante e de difícil tratamento. Sabe-se que as Dores Orofaciais, entre as quais as Disfunções Temporomandibulares, representam uma patologia desafiante para os profissionais de saúde atingindo aproximadamente um terço da população mundial.

Além das 560 inscrições superadas, conseguiram-se seis patrocínios científicos das mais variadas entidades científicas nacionais e internacionais, dos mais variados campos da Medicina, que validaram a qualidade deste evento; 13 expositores; 8 conferencistas internacionais e 26 conferencistas nacionais distribuídos por três dias de ampla discussão em torno da Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

Correu de acordo com as expectativas?

Para sermos francos temos que reconhecer que superámos todas as expectativas. Quando embarcámos nesta jornada encontrámos testemunhos de algum pessimismo, relativos ao número de inscritos possível de atingir numa área tão particular, ao apoio das casas comerciais, ao facto de o auditório dos CHUC, com capacidade para 500 pessoas, ser um ´´estádio´´ assustador para uma equipa/comissão organizadora tão recentemente constituída etc…

O caminho não foi fácil até aqui, encontrámos algumas inesperadas resistências, mas hoje reconhecemos o sentimento do dever cumprido e de um trabalho bem feito. Um trabalho bem feito pelo número de inscritos (que assentou maioritariamente em profissionais de saúde das mais diversas áreas, e apenas 10% de estudantes), pela satisfação manifestada pelos nossos patrocinadores, pelos elogios da maioria dos inscritos relativamente à organização do congresso, ao programa e temas debatidos, à pontualidade das palestras e ao interessante programa cultural.

Estavam à espera de receber tantos visitantes?

De facto não. Quando iniciamos este projeto assumimos o objetivo de encher o auditório dos CHUC. E ficámos agradavelmente surpresos quando nas primeiras semanas de publicitação do congresso tivemos um volume enorme de inscrições. Ainda mais felizes ficámos quando constatámos que esse volume de inscrições assentou essencialmente em profissionais de saúde das mais diversas áreas já estabelecidos há alguns anos. Isso acabou por beneficiar e constituir também um fator extremamente positivo para os expositores.

O que mais o surpreendeu?

As Dores Orofaciais, entre as quais as Disfunções Temporomandibulares representam uma patologia desafiante para os profissionais de saúde atingindo aproximadamente um terço da população mundial. Era portanto imperativa a criação em Portugal de uma Sociedade Cientifica que visa-se promover o desenvolvimento do conhecimento nestas áreas. Assim, fruto da comunhão de pensamentos entre vários colegas, e com os objetivos mais elevados nasceu em final de 2014 a Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

Sob o desígnio da multidisciplinariedade que deve orientar o tratamento destes pacientes, a SPDOF reuniu um contributo alargado e inclusivo de muitos colegas das mais diversas especialidades e associou-se ao Serviço de CMF dos CHUC no desenvolvimento deste projeto que culminou neste 1º Congresso de Abordagem Multidisciplinar de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

Sabíamos da carência/necessidade de informação dos diferentes profissionais de saúde nesta área. No entanto, a dimensão das inscrições e do interesse manifestado pelos colegas foi avassaladora. As palestras começavam pontualmente às 9h00, e o auditório estava sempre muito bem composto. Sentiu-se um ambiente de trabalho profícuo e efetivo entre palestrantes e congressistas.

A Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial está cada vez mais na ordem do dia?

O conhecimento ao nível das áreas da Oclusão e DTM é essencial para responder às exigências da Medicina Dentária contemporânea. Este conhecimento influência todas as áreas clínicas envolvidas no diagnóstico, planeamento e execução de uma reabilitação oral. Os médicos dentistas estão cada vez mais alertas para este facto.

2014 foi o Ano Global contra a Dor Oro-Facial da Internacional Association for the Study of Pain (IASP). Nesse sentido, a IASP contatou e motivou os seus associados no sentido de disseminar informação nesta área específica nos mais diferentes canais; promover ações educativas das diferentes áreas médicas e procurar aumentar o conhecimento de profissionais e de outros investigadores científicos, dos média, público em geral e decisores públicos e políticos.

Esse foi também um fator motivador para que um conjunto de colegas levassem a cabo a criação em Portugal de uma Sociedade Cientifica que visa-se promover o desenvolvimento do conhecimento nestas áreas. Assim, fruto da comunhão de pensamentos entre vários colegas, e com os objetivos mais elevados nasceu em final de 2014 a Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

A nível privado têm surgido diversos cursos ministrados por profissionais nacionais ou estrangeiros, com curriculum reconhecido na área, que têm contribuído em muito para a formação pós-graduada dos médicos dentistas e fisioterapeutas que atuam nesta área.

Pessoalmente, sou docente do curso de Dor Curso de Dor Orofacial e Disfunções Temporomandibulares da Clínica Visages em Viseu (a decorrer a sua sexta edição neste momento); sou responsável pelas residências clínicas de Dor Oro-Facial e DTM do programa OrisEducare da Orisclinic em Coimbra; e sou coordenador do curso de Dor Orofacial, DTM e Bruxismo da Sorriso Natural no Porto que terá a sua 2ª edição a iniciar-se no 2º semestre de 2015.

Quais as palestras que mais se destacaram?

O congresso teve muitos momentos altos, sem dúvida, com palestras extremamente incisivas e atualizadas nos seus objetivos e conteúdos. Perante o ingrato pedido de destacar algumas gostaria de salientar as conferências de alguns dos colegas estrangeiros: da Medicina Dentária Eduardo Januzzi e Francisco José de Moraes Macedo (ambos do Brasil) e Gonzalo Facal (de Espanha); da Cirurgia Maxilo-Facial as conferências de Guglielmo Ramieri (Itália) e Florencio Monge Gil (Espanha) e ao nível da Fisioterapia Alfonso Gil Martínez (Espanha).

Além destes, vários colegas portugueses demonstraram a qualidade do trabalho e investigação desenvolvida em Portugal nesta área. A título de exemplo (pois tivemos 26 conferencistas nacionais): da Medicina Dentária André Mariz Almeida, Alexandra Vinagre e Cláudia Barbosa; da Cirurgia Maxilo-Facial Adriano Figueiredo, José Bilhoto e Richard Nunes; da ORL Pedro Tomé; da Neurologia Filipe Palavra, da Fisioterapia Tiago Oliveira, Francisco Neto e Maria Paço entre outros colegas de diferentes especialidades.

Quais os planos para o próximo evento?

O próximo congresso já tem data marcada. A SPDOF conta consigo em Lisboa, 18 e 19 de Março, no Campus Universitário Egas Moniz. Neste momento temos uma Comissão Organizadora a trabalhar para proporcionar um ainda melhor evento que o de Coimbra. Já temos confirmado o nome de um dos mais importantes investigadores na área, o colega Daniele Manfredini, de Itália.

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