Segundo noticiou a “Reuters”, os investigadores descobriram que entre os cerca de 9.300 adultos norte-americanos, que foram acompanhados durante 17 anos, aqueles que inicialmente sofriam de doença periodontal tinham probabilidades acrescidas de desenvolver diabetes mais tarde.
As mulheres e os homens com doença periodontal moderada apresentavam duas vezes mais hipóteses de desenvolver a doença, em oposição aos que não sofriam de problemas gengivais, enquanto que uma perda dentária substancial revelou estar associada a um risco elevado de 70%.
Os resultados da pesquisa não provam que a doença periodontal é responsável pelo desenvolvimento da diabetes tipo 2 em alguns indivíduos. Mas é o primeiro a demonstrar a existência de uma associação temporal entre as duas condições. A relação entre a diabetes e a doença periodontal já é conhecida, mas tem vindo a ser assumido que a doença periodontal é apenas uma consequência da diabetes.
«A conclusão mais pertinente deste estudo foi que a doença periodontal pode preceder o início da manifestação da diabetes tipo 2», explicou o investigador principal, Ryan T. Demmer, da Columbia University, em Nova Iorque.
Porém, o responsável salientou a necessidade de se efectuarem mais estudos que comprovem que a doença periodontal contribui, de forma directa, para a diabetes tipo 2 e que, partindo deste princípio, o tratamento do problema dentário pode prevenir a doença.
«Seria inapropriado, ao basear-nos nos nossos resultados, afirmar definitivamente que uma boa saúde oral irá reduzir o risco individual de desenvolver diabetes», referiu Demmer.
Mas, ainda assim, os resultados do estudo estão em concordância com pesquisas que sugerem que a doença periodontal constitui um factor de risco para doenças cardiovasculares. A doença periodontal é consequência de uma infecção bacteriana, e acredita-se que uma inflamação crónica e sistémica, em resposta às bactérias, possa contribuir para a doença cardiovascular.
Em teoria, isto poderia também explicar a ligação à diabetes. Demmer referiu que as moléculas inflamatórias podem, por exemplo, afectar a sensibilidade do organismo à insulina que regula o açúcar no sangue. Mas não deixa de ser apenas uma teoria.