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Doença periodontal em debate no Philips Oral Health Care Symposium 2008

De acordo com o press release emitido, um dos maiores desafios impostos às empresas que focam a sua atenção nas novas tecnologias passa pela necessidade de facilitar o desenvolvimento de projectos de investigação entre a academia e a indústria, para que, através dos resultados provenientes dos estudos científicos, consigam lançar produtos no mercado.

Daí que a Philips impulsione esta convergência entre a investigação e a indústria, através da organização de simpósios que permitam apresentar investigações académicas. O objectivo é o de clarificar concepções científicas relativas à doença microbiológica e periodontal e respectivos diagnósticos, divulgando descobertas para que, eventualmente, se transformem em tecnologias relevantes para o mercado.

«A Philips dedica-se a apoiar a investigação e o desenvolvimento de soluções de saúde e, por conseguinte, continua a financiar investigações, bem como a providenciar um fórum único de discussão sobre considerações contemporâneas na investigação em saúde oral, a partir de uma variedade de perspectivas», considerou o organizador do evento, Petra Varstappen, gestor profissional de relações da Philips Oral Health Care.

Importância de espécies individuais microbianas para a saúde

A primeira oradora, Purnima Kumar, da Ohio State University, em Columbus, nos Estados Unidos, começou por definir a saúde oral como o resultado do equilíbrio entre o ecossistema bacteriano associado ao hospedeiro e a reposta desse mesmo hospedeiro à colonização bacteriana, sendo que a doença periodontal e as cáries surgem quando este equilíbrio é interrompido.

Logo, para se apreender a contribuição das espécies individuais microbianas para a doença torna-se fulcral compreender o seu papel na saúde. Kumar evidenciou, ainda, que a maioria das abordagens terapêuticas e preventivas no tratamento das doenças periodontais envolve a remoção total da placa para reduzir a magnitude da resposta do hospedeiro. Contudo, um facto comummente ignorado é que aquele é capaz de viver em equilíbrio com a comunidade bacteriana saudável.

Em suma, uma vez que a saúde oral assenta no equilíbrio entre a colonização bacteriana e a resposta do hospedeiro, é importante perceber os componentes das interacções bacterianas na saúde.

Caracterização molecular de fenótipos inflamatórios em debate

O docente Steve Offenbacher, da University of North Carolina’s School of Dentistry, em Chapel, nos Estados Unidos, reflectiu sobre a caracterização molecular de fenótipos inflamatórios na doença periodontal. De acordo com o orador, o fluído crevicular gengival contém um conjunto de factores celulares e bioquímicos que têm vindo a dar provas de reflectir o status metabólico e inflamatório do tecido periodontal adjacente e que pode ser um indicador mais viável do status da doença periodontal, em detrimento dos sinais clínicos.

Offenbacher mencionou uma investigação conduzida pela University of North Carolina, que através de uma análise de clusters baseada em hipóteses em respostas inflamatórias, identificou três clusters inflamatórios com diferentes modelos de resposta de citoquinas, matrixmetalloproteinase e quimoquinas, mas apenas pequenas diferenças de fenótipo. Todas as respostas microbianas e inflamatórias que se modificaram durante a indução da doença foram revertidas pela escova de dentes Sonicare durante as fases de resolução.

Controlo adequado da infecção é imperativo

O professor Scaren Jepsen, da University of Bonn, na Alemanha, falou sobre conceitos correntes de tratamento na gestão da doença periodontal e explorou os benefícios e os riscos associados tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde.

Jepsen defendeu que o objectivo principal do tratamento de pacientes com doença periodontal é o de estabelecer um controlo adequado da infecção, para se reduzir a carga bacteriana, que, por norma, envolve o estabelecimento de um regime de controlo da placa, a supressão da carga bacteriana subgengival através de meios não cirúrgicos, o acesso cirúrgico ao centro da infecção para a correcção de características anatómicas não favoráveis e a prevenção do reaparecimento da doença através de terapia de apoio periodontal.

Condições crónicas são resultado de doenças complexas

Já Bruno Loos, do Academic Centre for Dentistry, em Amesterdão, discursou sobre as actuais concepções de diagnóstico da doença periodontal e respectiva monitorização.

Para o orador, a maioria das condições crónicas que se desenvolvem são o resultado de doenças complexas. As condições crónicas podem desenvolver-se através de complexas sentidos biológicos, estando envolvidos múltiplos factores genéticos, ambientais e quotidianos.

Ligação entre doença periodontal e diabetes

Por último, o professor Philip Preshaw, da Newcastle University, no Reino Unido, descreveu as interacções existentes entre a doença periodontal e a diabetes. Dados epidemiológicos demonstram uma clara ligação entre aquelas patologias, estando os indivíduos com aquela condição em risco de desenvolver uma periodontite avançada, caso não seja alvo de acompanhamento.

Preshaw destacou, ainda, a existência de dados recentes que sugerem que o tratamento da doença periodontal pode surtir um efeito positivo no controlo glicémico e clarifica a necessidade de incorporar um exame periodontal completo na estratégia adoptada para gestão da condição dos pacientes diabéticos.