“Em primeiro lugar é fundamental que o paciente mantenha uma higiene oral adequada, pois por incrível que possa parecer, ainda recebemos pacientes que foram orientados a não escovar os dentes em alguns momentos do tratamento oncológico. Na verdade, é o contrário”, refere a cirurgiã-dentista Letícia Mello Bezinelli, profissional do Programa de Oncologia, Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein em declarações ao site Aqui Tem Sorriso.
Para prevenir quaisquer complicações e problemas orais é essencial que o médico dentista seja integrado nos tratamentos do doente oncológico. “Existem efeitos colaterais do tratamento oncológico que podem ser prevenidos ou minimizados pelo dentista e é importante a sintonia entre os profissionais. Assim é possível oferecer um tratamento completo e há grande ganho na qualidade de vida do paciente”, refere a especialista.
Mucosite oral
A mucosite oral é um dos efeitos secundários mais comuns de tratamentos oncológicos como a quimioterapia e a radioterapia. Começa, normalmente, com uma vermelhidão e pode evoluir para úlceras. A dor e desconforto que causa pode levar a uma perda na qualidade de vida do paciente, que deixa de conseguir mastigar corretamente e que pode desenvolver distúrbios do sono e má higienização.
Boca seca
A sensação de boca seca surge à medida que o paciente começa a sentir que a saliva fica mais espessa. Além disso, muitas vezes o tratamento quimioterápico é doseado diretamente na saliva, o que faz com que haja uma toxicidade direta na mucosa oral.
Aumento do índice de cáries
Com a diminuição da saliva produzida na mucosa oral e uma maior dificuldade em fazer a higiene oral normal, podem surgir cáries nos pacientes.
Alteração do paladar
É comum que um paciente oncológico sinta um sabor ‘metálico’ na boca ou que não consiga sentir sabores salgados e doces, sensação que habitualmente termina após o tratamento.