Contou ainda com a presença de ilustres convidados, intimamente ligados ao sector da medicina dentária, que na “mesa redonda” discutiram se vale a pena ou não investir em medicina dentária.
Em relação a este tema, a minha resposta não poderia ser mais pragmática: claro que sim, desde que competência técnica esteja garantida e sejam desenvolvidos instrumentos de diferenciação em relação aos mais directos concorrentes. Se houver inovação, tanto melhor.
Esta será a verdadeira vantagem competitiva num mercado fragmentado e cada vez mais saturado. A este propósito, tive a oportunidade de apresentar algumas estatísticas oficiais que comprovam que apesar do sector da medicina dentária ter descrescido em volume de negócios em 2012 face ao ano anterior, o número de clínicas dentárias continua a aumentar.
De um ano para outro houve um aumento líquido de 251 novas clínicas dentárias no território nacional. Num país tão pequeno, mergulhado numa profunda crise económica e num sector altamente concorrencial, é de louvar a coragem destes empreendedores. E sei que há muitos que estão a ter sucesso porque souberam posicionar-se no mercado e marcar a diferença. Na cadeia de distribuição é claro que quem agradece é o consumidor final, que beneficia de uma ampla oferta de serviços a preços mais competitivos.
Às vezes competitivos demais, quando se fazem ofertas através dos sites de descontos de grupo. Retomando as estatísticas, o volume global de negócios no mercado dentário foi de 625 milhões de euros, menos 3,8% em relação a 2011, o que naturalmente se traduz numa redução da facturação média de uma clínica dentária de 140 para 132 mil euros. Estes números têm por base o CAE 86230 – actividades de medicina dentária e odontologia.
Quando se fala em investir num negócio é inevitável equacionarmos qual a ponderação de investimento por via de capitais próprios e capitais alheios. Tive a oportunidade de referir na minha intervenção que existem factores como o risco do negócio, o ciclo de vida (antiguidade da clínica/empresa) e peso dos custos fixos na estrutura que condicionam o acesso aos capitais alheios.
E cada vez mais, dada a actual restrição na concessão de crédito por parte das instituições bancárias. Ainda referi algo que senti ter criado surpresa junto da audiência, relacionado com o efeito de alavancagem: basicamente, a ideia da alavancagem é que a rentabilidade dos capitais próprios investidos em determinado projecto aumenta à medida que a percentagem de capitais alheios utilizados é maior, desde que o nível de capitais alheios não seja tão elevado que ponha em risco a viabilidade do projecto. Ou seja, mesmo tendo capitais próprios pode compensar investir com capitais alheios. Parece contraditório? Sim, mas é um facto. Analise o seguinte exemplo (fictício) que apresenta as fórmulas de cálculo, e tire as suas próprias ilações. Uma conclusão imediata: neste exemplo, o melhor projecto será o C (investimento de 40% com capitais alheios), porque é o que apresenta a melhor taxa de rendibilidade dos capitais próprios.
Nota: Ler o artigo na íntegra na edição Setembro/Outubro da revista Saúde Oral