Saúde Oral (SO): Quais foram as medidas “pioneiras” postas em prática que permitiram alavancar o serviço público de saúde oral na região dos Açores?
Miguel Correia (MC): O Governo Regional dos Açores foi pioneiro na decisão de colocar médicos dentistas nos centros de saúde, onde hoje trabalham 17 profissionais desta especialidade, e que asseguram à população das ilhas, um total de cerca de 31 mil consultas anuais de medicina dentária.
A Região Autónoma dos Açores é, igualmente, pioneira na introdução, em 2005, do Boletim Individual de Saúde Oral que permite fazer o registo da história clínica de cada pessoa e alertar para os cuidados preventivos para uma boa saúde oral.
No âmbito das atividades previstas pelo Programa Regional de Promoção da Saúde Oral, este ano vai ser disponibilizada gratuitamente uma escova dentária a todas as crianças com três anos de idade que será provavelmente a primeira para muitos, reforçando assim a intensa atividade preventiva efetuada em todas as ilhas.
SO: Espera que mais utentes recorram aos serviços de saúde oral durante este ano?
MC: O atual momento de crise que atravessamos motivará com certeza a procura de serviços públicos, gratuitos, de saúde, designadamente os serviços de saúde oral. A presença de médicos dentistas nos quadros das nossas unidades de saúde é responsável pelo acompanhamento preferencial das crianças, grávidas e idosos e pessoas socialmente vulneráveis, mas existem alguns centros de saúde que conseguem dar resposta a grande parte das pessoas da sua zona de influência.
SO: Qual é atual capacidade de resposta dos serviços? Estarão à altura do expectável aumento de utentes que procuram tratamentos orais?
MC: Além dos atuais médicos dentistas que prestam atividade no Serviço Regional de Saúde, é intenção do Governo Regional abrir vagas para mais cinco médicos dentistas a fim de que, por exemplo, na ilha de São Jorge ou na do Pico ou no concelho de Ponta Delgada, em São Miguel, a cobertura assistencial de medicina dentária possa melhorar substancialmente. O nosso objetivo é chegarmos a cada vez mais pessoas, dentro das nossas limitações orçamentais.
Paralelamente a este facto, o executivo açoriano irá promover, em 2012, uma consulta de medicina dentária ou de estomatologia a todas as crianças até aos seis anos de idade, conforme prevê já o Plano Regional de Saúde 2009-2012.
No sentido de obter uma cobertura mais abrangente da população, o Governo Regional pretende atingir, já no próximo ano, as 40 mil consultas de medicina dentária, o equivalente ao dobro das realizadas em 2002, o que só será possível também através da melhoria dos atuais índices de produtividade em saúde oral.
SO: Considera que a saúde oral pública nos Açores se destaca da praticada no continente?
MC: É diferente pelo menos. Face à oferta dos cuidados de Saúde Oral em curso na Região Autónoma, os açorianos dispõem de uma medicina dentária pública gratuita, organizada e qualitativa. Estes benefícios são reconhecidos, sobretudo pelas crianças, idosos e por todas as pessoas em situação de maior vulnerabilidade social e a quem se prestam, prioritariamente, os cuidados necessários de saúde nesta área.
SO: Que medidas precisam ainda de ser tomadas para continuar a melhorar o serviço público de saúde oral?
MC: Às já mencionadas anteriormente, acresce a preocupação constante do Governo Regional do Açores com a avaliação das medidas traçadas, com a determinação de índices de produtividade em saúde oral, com o estabelecimento de estratégias de divulgação e promoção da saúde e, por último, com a avaliação da contratação de médicos dentistas para os quadros dos hospitais da Região.