Num trabalho publicado em 2006 sobre esta matéria, intitulado “Factors guiding the number of dental specialits in the European Union and Economic Area”, Eeva Widstrom, do National Research and Development Centre for Welfare and Health (Stakes) de Helsínquia, e Kenneth Eaton, do Eastman Dental Institute de Londres, referem que, em 27 países europeus, «três estados não possuem qualquer especialidade reconhecida e os restantes têm uma ou mais», cita António de Vasconcelos Tavares, director da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL).
E se analisarmos o “Manual of Dental Practice”, do Council of European Dentists constatamos que as especialidades mais reconhecidas, pelas organizações profissionais, são a Ortodontia e a Cirurgia Oral, «homologadas pela Comissão Europeia em 60% dos Estados-membros». As outras especialidades mais comuns são a Periodontia e a Odontopediatria. A Prostodontia Fixa e Removível é também formalmente reconhecida em sete países e existem ainda especialidades como a Radiologia, Endodontia, Oclusão e Implantologia «reconhecidas em apenas dois países», descreve o também presidente da secção europeia do International College of Dentists.
Como já referimos, Portugal encontra-se no leque de países que apenas reconhece duas especialidades – Ortodontia e Cirurgia Oral – e pauta-se também por uma percentagem de dentistas especializados das mais reduzidas, variando entre 0% a 4%, o que poderá ser explicado pelo facto de «a existência destas especialidades não impedir que qualquer médico dentista possa executar tratamentos relativos a essas áreas de especialidade», frisa Ricardo Faria e Almeida, membro do Conselho Directivo da OMD.
Ampliar conhecimentos
No nosso país cabe aos respectivos Colégios da Especialidade a acreditação das instituições que ministram o ensino, assim como a atribuição aos profissionais do título de especialista. De acordo com Luís Pires Lopes, presidente do Conselho Científico da FMDUL, o ensino da especialidade de Ortodontia daquela faculdade é reconhecido pela OMD desde 2007, «esperando nós, muito em breve, obter o reconhecimento para o ensino da especialidade de Cirurgia Oral».
Dado que a Faculdade procura «proporcionar aos licenciados e aos novos mestres em Medicina Dentária condições para prosseguirem os seus estudos e aperfeiçoarem a sua formação», António Vasconcelos Tavares acredita que é «cada vez mais importante a formação pós-graduada de modo a ampliar os conhecimentos», até porque a evolução científica ocorrida nos últimos 50 anos o leva a considerar como «muito provável» a criação de novas especialidades.
Daí que a FMDUL considere expandir a sua oferta formativa em mais especialidades já no próximo ano lectivo, nomeadamente em Endodontia, em Dentisteria Estética e em Odontopediatria, «considerando fundamental possibilitar aos médicos dentistas a sua diferenciação numa das várias áreas da medicina dentária», afirma Luís Pires Lopes. Esse facto, «além de ser um factor de realização profissional, poderá ter um impacto muito positivo na melhoria dos cuidados de saúde oral que são prestados à população», conclui.
Não perca o artigo completo na Saúde Oral n.º 66. Brevemente.