Nos últimos 30 anos, o número de escolas de ensino de medicina dentária acreditadas pela Comissão de Acreditação Dentária dos EUA aumentou de 55 para um total de 65 escolas. A conclusão é de um estudo da Universidade da Califórnia de São Francisco, publicado em 2014 no British Dental Journal, que traça um retrato do estado da educação em medicina dentária nos EUA.
Nos Estados Unidos da América, muitos estados têm a sua própria escola de medicina dentária, muitas das quais oferecem cursos gratuitos, o que tem feito disparar o número de pessoas formadas nesta área.
M. A. Pogre, autor do estudo, explica que “não existem dúvidas de que o número de dentistas a sair das escolas de medicina dentária nos EUA tem vindo a aumentar de forma constante. Na verdade, estas escolas têm inclusive aumentado o número de vagas uma vez que, obviamente, quantas mais pessoas formarem mais faturação consegue arrecadar.”
A somar a isso, muitas escolas têm vindo a encontrar estratégias adicionais para incrementar a sua faturação, promovendo estágios de dois anos para dentistas estrangeiros que se queiram fixar nos EUA e que chegam a custar cerca de 70 mil dólares por ano.
Mas de acordo com o investigador, existe um contrassenso para o qual o setor parece não estar a olhar. “A percentagem de população que vai ao dentista de forma regular para realizar tratamentos está, na verdade, a cair. Atualmente, apenas uma em cada três pessoas dos EUA vão ao dentista pelo menos uma vez todos os anos e apenas uma em cada seis vai ao dentista de forma regular”, indica.
“A Medicina Dentária é demasiado cara para que a população em geral consiga pagar tratamentos de forma regular. Isto é um completo paradoxo, uma vez que temos mais dentistas do que nunca e estamos a formar mais dentistas do que nunca, mas os pacientes recorrem cada vez menos a tratamentos dentários”, acrescenta o investigador.
Que estratégias adotar para acabar com o paradoxo?
O estudo agora publicado mostra que alguns dos estados norte-americanos já estão a tentar combater a ‘sobrelotação’ de profissionais no setor, com a promoção da profissão de assistente dentário como uma alternativa aos médicos dentistas. Como explica o investigador, estes profissionais podem oferecer serviços de medicina dentária, mais baratos, e estão mais dispostos a fixarem-se em áreas mais rurais, onde existe menos concorrência, e onde têm a oportunidade de criar uma clientela mais fiel. “Até agora, apenas os estados do Minnesota e do Alaska estão a licenciar estes profissionais, mas está já a ser desenvolvida legislação noutros estados, incluindo, possivelmente, a Califórnia”, refere.
Contudo, apesar de ser positiva para os pacientes, esta estratégia pode vir a adensar os problemas dos médicos dentistas, que deixarão de se conseguir colocar no mercado, uma vez que estes assistentes dentários assumirão tarefas que até agora lhes pertenciam. O investigador termina referindo que é preciso repensar o setor e as estratégias de formação e de integração destes profissionais no mercado, com soluções de medicina dentária e saúde oral que permitam às massas recorrer a estes serviços frequentemente.